domingo, setembro 20, 2026

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Brasil denuncia discriminação em tarifas impostas pelos Estados Unidos

**Brasil cobra revisão de tarifas dos EUA e mantém negociações bilaterais**

O governo brasileiro voltou a contestar, nesta segunda-feira (31), as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos contra produtos do país. Em reunião virtual, representantes de Brasília classificaram as medidas como discriminatórias e incompatíveis com normas internacionais de comércio.

Participaram do encontro o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Em comunicado conjunto, os ministérios brasileiros informaram que questionaram os fundamentos das investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Segundo o governo brasileiro, as conclusões das apurações não refletem as práticas adotadas pelo país.

Apesar do impasse, Brasil e Estados Unidos concordaram em dar continuidade às conversas. Técnicos dos dois governos deverão se reunir nas próximas semanas, em encontros virtuais ou presenciais. Depois dessa etapa, está prevista uma nova reunião em nível ministerial para analisar os resultados das tratativas.

O Brasil está submetido a uma tarifa adicional de 25% imposta especificamente pelo governo americano, além de outra sobretaxa de 12,5%, vinculada por Washington a questões relacionadas ao combate ao trabalho forçado.

A tarifa de 25% foi aplicada após investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR. O órgão americano apontou suspeitas de práticas comerciais consideradas desleais em áreas como o sistema de pagamentos Pix e as condições de acesso ao mercado de etanol.

Brasília rejeita essas acusações e sustenta que as restrições não têm justificativa. A retomada das negociações foi acertada após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada em 21 de agosto.

As discussões também ocorrem em um cenário de disputa econômica entre Estados Unidos e China pela ampliação de influência na América Latina, fator que adiciona peso geopolítico às relações comerciais entre Brasília e Washington.

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