segunda-feira, setembro 21, 2026

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Brasil busca se tornar parceiro pleno da Asean no Sudeste Asiático

**Mauro Vieira busca ampliar presença do Brasil no Sudeste Asiático**

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, realiza nesta semana uma agenda oficial no Sudeste Asiático com foco na expansão das relações comerciais e políticas do Brasil na região. Entre as prioridades estão a tentativa de reabrir o mercado da Tailândia para a carne brasileira, suspenso em 2024, e o avanço das negociações com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

O governo brasileiro busca obter o status de Parceiro de Diálogo Pleno da Asean. Desde 2022, o país é reconhecido pelo bloco como parceiro de diálogo setorial. A eventual elevação permitiria ampliar a cooperação com os 11 integrantes da associação, que formam o quinto maior parceiro comercial do Brasil, atrás de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul.

Atualmente, 12 países ou blocos possuem status de parceiro pleno da Asean: Estados Unidos, União Europeia, Japão, Índia, China, Canadá, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Turquia e Organização das Nações Unidas. Não há representantes da América Latina nessa lista.

A expectativa do Brasil é que a adesão possa ser aprovada na próxima cúpula da Asean, marcada para 10 a 12 de novembro, nas Filipinas, ou a partir de janeiro de 2027, quando Singapura assumirá a presidência rotativa do bloco.

O intercâmbio comercial entre o Brasil e os países da Asean cresceu de US$ 3 bilhões em 2003 para US$ 38 bilhões em 2025, avanço de mais de dez vezes no período e média anual de expansão de 12%.

A associação é formada por Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor-Leste, Mianmar, Brunei, Camboja e Laos.

Entre 2023 e 2025, as exportações brasileiras para Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia somaram US$ 68,5 bilhões. O valor foi equivalente às vendas do Brasil para Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França no mesmo intervalo.

No comércio com os cinco maiores mercados da Asean, o Brasil acumulou superávit de US$ 36 bilhões no período. Já nas relações com os cinco países do G7 citados, registrou déficit de US$ 36,6 bilhões.

A viagem de Vieira começou por Singapura, onde ele se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do país, Vivian Balakrishnan, e representantes de aproximadamente 20 empresas brasileiras e singapurenses.

Singapura é o principal parceiro comercial brasileiro dentro da Asean e o segundo maior na Ásia, atrás apenas da China. O fluxo bilateral alcançou US$ 10,7 bilhões no ano passado, alta de 23% em relação a 2024.

Em agosto, entrou em vigor a parceria de livre comércio entre Mercosul e Singapura. O país asiático possui Produto Interno Bruto estimado em US$ 603 bilhões, valor próximo ao da Argentina, que soma US$ 683 bilhões, conforme dados do Banco Mundial para 2025.

Além da pauta econômica, Vieira tratou com autoridades singapurenses de temas geopolíticos, asiáticos e ambientais. Houve também encontro com a ministra do Meio Ambiente de Singapura, Grace Fu.

Após a passagem por Singapura, o chanceler seguiu para a Tailândia, onde cumpre agenda oficial entre 8 e 10 de setembro. Em Bangkok, as discussões incluem comércio, investimentos, ciência, tecnologia, inovação e segurança alimentar.

O Brasil também busca reforçar a cooperação com a Tailândia no combate ao crime organizado transnacional, incluindo tráfico de pessoas e fraudes cibernéticas. O diálogo consular entre os dois países tem sido utilizado em operações de resgate de brasileiros vítimas de exploração trabalhista no Sudeste Asiático.

Nos últimos meses, autoridades registraram casos de brasileiros atraídos por falsas promessas de emprego na região e submetidos a condições semelhantes à escravidão.

A Tailândia é o principal parceiro comercial do Brasil na América Latina e no Caribe. Com mais de 71 milhões de habitantes e território próximo ao tamanho da Bahia, o país movimentou US$ 5,7 bilhões no comércio bilateral com o Brasil em 2025.

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