quinta-feira, abril 23, 2026
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Brasil busca reduzir tempo de voo ao Senegal para impulsionar turismo e comércio

O governo brasileiro busca reduzir o tempo de voo entre o Brasil e Dakar, capital do Senegal, com objetivo de ampliar o comércio e o turismo entre os países e com vizinhos regionais. A informação foi confirmada pela embaixada do Brasil em Dakar.

Atualmente não existem voos diretos regulares entre os dois países. Rotas comerciais costumam passar por hubs europeus, aeroportos africanos distantes da América do Sul ou até por conexão em Dubai, o que aumenta significativamente o tempo de viagem.

Em linha reta, a distância entre Natal (RN) e o Senegal é de cerca de 2,9 mil quilômetros. A mesma viagem por Lisboa representa quase o dobro desse percurso; para Dubai, a distância é quase quatro vezes maior.

Representantes brasileiros mantiveram contatos com autoridades senegalesas para discutir alternativas de conexão aérea. Entre as iniciativas em análise estão acordos comerciais entre companhias — como arrangements de codeshare — envolvendo empresas brasileiras e a Air Senegal, além de possíveis parcerias com transportadoras de outros países africanos.

As relações diplomáticas entre Brasil e Senegal remontam à década de 1960. A embaixada brasileira em Dakar foi aberta em 1961; a representação senegalesa em Brasília foi estabelecida em 1963 e é a única em toda a América do Sul. A ligação histórica entre os países também tem raízes no período do tráfico transatlântico de pessoas, com locais como a Ilha de Gorée no Senegal integrando esse passado.

No plano comercial, o intercâmbio entre Brasil e Senegal alcançou US$ 386,1 milhões em 2025, com saldo comercial favorável ao Brasil de US$ 370,8 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O Senegal tem cerca de 19 milhões de habitantes. Observa-se espaço para aumento das exportações senegalesas ao mercado brasileiro, em setores como alimentos, têxteis e produtos artesanais.

Em 2025, uma missão empresarial brasileira levou 50 empresários ao Senegal como parte de esforços para ampliar investimentos e comércio bilaterais.

Na área de investimentos, foi anunciado em outubro do ano passado projeto para implantar a primeira indústria de genética agrícola no Senegal, liderada por empresa brasileira em parceria com parceiros locais. O empreendimento prevê a produção anual de 30 milhões de ovos e 400 mil aves reprodutoras, investimento inicial de US$ 20 milhões, geração estimada de 300 empregos diretos e 1.000 indiretos e transferência de tecnologia. O projeto tem por objetivo aumentar a autossuficiência na produção de aves e reduzir custos para o consumidor.

Além disso, há negociações para levar ao Senegal tecnologias agropecuárias, programas de merenda escolar e cooperação na área de defesa.

As iniciativas foram debatidas no Fórum Internacional de Dakar sobre a Paz e Segurança na África, realizado nos dias 20 e 21 de abril. O encontro reuniu autoridades de 38 países, entre eles 18 estados africanos, e ampliou debates sobre cooperação regional e multilaterais.

No âmbito institucional, o Senegal assumirá a presidência da Comissão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) no período 2026–2030. O país também integra a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), grupo que reúne mais de 20 nações e cuja presidência foi assumida recentemente pelo Brasil em evento no Rio de Janeiro.

Como parte das articulações, a embaixada brasileira em Dakar relatou reuniões com o ministro senegalês das Infraestruturas e dos Transportes, Yankhoba Diémé, e com a direção da Air Senegal para avançar nas propostas de conectividade aérea.

Repórter viajou a convite do Ministério da Integração Africana, Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Exterior.

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