# Procurador-geral da Bolívia é preso em investigação sobre tráfico de drogas
O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso na noite de quarta-feira (30) durante uma operação contra suspeitas de tráfico de drogas e organização criminosa. Até a manhã de quinta-feira (1º), outras 13 autoridades bolivianas também haviam sido detidas.
Entre os presos estão o ex-ministro Eduardo Del Castillo, integrante do governo anterior, e o procurador do departamento de Santa Cruz, Alberto Zeballos.
As autoridades bolivianas acusam Mariaca de comandar uma organização criminosa supostamente instalada no Ministério Público e ligada ao narcotráfico. Durante a operação, agentes encontraram pacotes de dinheiro escondidos em um fundo falso de um veículo relacionado a um endereço associado ao procurador-geral, segundo o governo.
A ação ocorreu enquanto Mariaca conduzia investigações envolvendo o argentino Fernando Cerimedo, operador digital ligado a grupos de direita na América Latina. Cerimedo está preso na Bolívia desde agosto, investigado por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, Nadia Beller, além de suspeitas de enriquecimento ilícito e tráfico de drogas. A defesa do argentino contesta as acusações.
Mariaca e Zeballos tiveram os vistos de entrada nos Estados Unidos cancelados pela administração de Donald Trump na segunda-feira (28). O governo americano atribuiu a ambos suspeitas de corrupção ou envolvimento com narcotráfico, sem divulgar provas.
O Ministério Público boliviano transmitiu pelas redes sociais imagens que denunciavam irregularidades na detenção de Mariaca e Zeballos, alegando que as prisões teriam sido realizadas sem mandados judiciais.
Eleito pelo Parlamento boliviano em 2024, durante o governo de Luis Arce, Mariaca tinha mandato previsto de seis anos. O Congresso da Bolívia marcou para 5 de outubro uma sessão destinada a discutir a situação do Ministério Público após as acusações e as restrições impostas pelos Estados Unidos.
O ministro do governo de Rodrigo Paz, Marco Antonio Oviedo, afirmou que a operação foi conduzida pelas autoridades bolivianas, com cooperação de agências americanas, países europeus e nações vizinhas.
A medida ocorre no contexto do chamado Escudo das Américas, iniciativa liderada pelos Estados Unidos e integrada por 14 países latino-americanos. O programa foi criado com o objetivo declarado de combater cartéis de drogas.
## Caso Cerimedo
Fernando Cerimedo trabalhou como assessor dos presidentes Rodrigo Paz, da Bolívia, e Javier Milei, da Argentina. Ele mantém relações com grupos de direita latino-americanos apoiados por Donald Trump e é próximo da família Bolsonaro.
No Brasil, tornou-se conhecido em 2022 ao participar de uma transmissão online que difundiu acusações sem provas de fraude nas eleições presidenciais.
Em fevereiro de 2026, Cerimedo recebeu o prêmio de consultor político hispânico do ano, concedido pela organização Latino Wall Street em cerimônia realizada em Mar-a-Lago, na Flórida. A premiação foi entregue pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Durante as investigações na Bolívia, autoridades encontraram uma estrutura de produção artificial de engajamento nas redes sociais, conhecida como “fazenda de cliques”, em um endereço relacionado ao argentino. O local teria sido usado para operar robôs digitais.



