# Protestos por moradia se espalham em Portugal diante da alta dos aluguéis
O aumento do custo de vida e dos preços de imóveis para venda e locação provocou uma série de manifestações em Portugal. Os atos começaram há cerca de três semanas no Porto, com a instalação de tendas em uma praça da cidade.
Poucos dias depois, manifestantes organizaram uma ocupação semelhante na Praça do Rossio, ponto turístico de Lisboa. A polícia realizou operações para retirar os acampamentos, argumentando que a ocupação de área pública era irregular.
Imagens e relatos divulgados nas redes sociais, além de denúncias de parlamentares portugueses, apontaram que participantes dos protestos ficaram feridos durante as intervenções policiais. Após as retiradas, as tendas foram montadas novamente.
No último fim de semana, o Tribunal Administrativo de Lisboa autorizou a permanência da ocupação no Rossio até 24 de novembro.
Comerciantes da região manifestaram preocupação com possíveis efeitos sobre as atividades econômicas locais. A praça também está prevista para receber um mercado de Natal a partir de 14 de novembro.
## Portugal lidera alta de custos habitacionais na União Europeia
Dados do portal Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, indicam que os custos de habitação em Portugal cresceram 41,5% entre 2020 e 2025. O índice é o maior registrado entre os países da União Europeia, cuja média de aumento no período foi de 3,2%.
A Grécia, segunda colocada no levantamento, teve alta de 37,8%.
Outro estudo, elaborado pelo Conselho Europeu em parceria com o Deutsche Bank e divulgado no fim do ano passado, apontou que o aluguel médio em Lisboa equivale a 116% do salário médio dos moradores da capital. Entre 22 cidades analisadas, incluindo Paris, Roma, Madri e Berlim, Lisboa foi a única em que a remuneração média não seria suficiente para cobrir a locação de um imóvel.
O estudo considera adequado que os gastos com aluguel não ultrapassem 30% da renda mensal.
A crise tem impacto relevante sobre a população imigrante. Segundo a Agência para a Integração, Migrações e Asilo de Portugal, há 493 mil brasileiros no país, o equivalente a um terço dos estrangeiros residentes e a cerca de 4% da população portuguesa, estimada em 11,4 milhões de habitantes. O número não inclui brasileiros com cidadania portuguesa.
A Embaixada do Brasil em Lisboa informou que acompanha as manifestações.
## Reivindicações incluem moradia pública e controle dos aluguéis
Os protestos cobram medidas contra a especulação imobiliária, especialmente a atuação de fundos de investimento estrangeiros e a conversão de imóveis em hospedagens voltadas ao turismo. Entre as demandas está a restrição à compra de propriedades por fundos imobiliários.
Os participantes também contestam mudanças previstas no Novo Regime de Arrendamento Urbano, em análise no Parlamento português. A proposta prevê redução dos prazos para despejo, fim do teto de 2% para reajustes contratuais, aumento do depósito-caução e possibilidade de proprietários recusarem a renovação automática de contratos.
Outras reivindicações incluem a ampliação da habitação pública, o aproveitamento de prédios públicos e privados vazios para moradia popular, medidas de controle da inflação e reajustes salariais.
O governo português anunciou um pacote de 10 bilhões de euros para o setor habitacional. Entre as ações previstas estão investimentos em moradias públicas, estímulos para que imóveis privados sejam colocados no mercado e a construção de 133 mil residências, com recursos do Orçamento da República e do Banco Europeu de Investimentos.



