domingo, março 29, 2026
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Jornalistas palestinos enfrentam ataque aéreo após encontro com a Fenaj

Na tarde de quinta-feira (25), um grupo de jornalistas palestinos na Cidade de Gaza teve sua tenda atingida por um bombardeio das forças israelenses. O ataque ocorreu após os profissionais participarem de uma videoconferência com jornalistas brasileiros, coordenada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), juntamente com o Sindicato dos Jornalistas da Palestina e a Embaixada da Palestina no Brasil. A tenda funcionava como o Centro de Solidariedade de Jornalistas e abrigava cerca de 20 comunicadores.

Informações disseminadas pela Fenaj, através da embaixada, indicam que, até o início da tarde, não havia relatos de vítimas fatais. No entanto, uma fonte próxima ao sindicato local assegurou que os jornalistas presentesconseguiram escapar sem ferimentos. Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, a Cidade de Gaza tem sido severamente afetada pelos ataques israelenses.

Durante a videoconferência, líderes sindicais e outros profissionais de mídia relataram que a imprensa palestina é um alvo prioritário nas ofensivas israelenses. Dos cerca de 1,6 mil jornalistas ativos na Faixa de Gaza, 252 perderam a vida em ataques desde o início do conflito. Além disso, aproximadamente 400 foram feridos e cerca de 200 encontram-se detidos. A tragédia se estende a suas famílias, com pelo menos 600 parentes de jornalistas mortos.

A situação das equipes de reportagem na região é alarmante. Muitos não perderam a vida, mas tiveram que abandonar suas casas em função da constante ameaça de bombardeios. Um dos jornalistas mencionou ter se deslocado 18 vezes em um período de 23 meses devido à violência. O sindicato local destaca que 647 residências de jornalistas foram destruídas por ataques.

Desde 2021, a ocupação israelense impediu a entrada de aproximadamente 3,4 mil jornalistas no enclave palestino, entre os quais 820 são cidadãos dos Estados Unidos.

A Fenaj ressaltou a importância da videoconferência para que os jornalistas palestinos pudessem compartilhar suas experiências em meio a um cenário que resultou na morte de aproximadamente 70 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças. A entidade também expressou preocupações sobre a possibilidade de Israel ter monitorado a transmissão da reunião, alegando que tal ação buscava silenciar as vozes que denunciam a situação em Gaza.

O evento ocorreu em centros de apoio em Khan Yunis e na Cidade de Gaza, que sofreu devastação significativa devido aos ataques aéreos.

O Comitê Editorial e de Programação (Comep) e o Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (CPADI) da Empresa Brasil de Comunicação manifestaram repúdio ao bombardeio. Eles afirmaram que o ataque, ocorrido pouco após a reunião, demonstra uma estratégia de monitoramento e perseguição a jornalistas que documentam a realidade do conflito. Os comitês pediram medidas urgentes da comunidade internacional para cessar os crimes de guerra cometidos por Israel.

A Agência Brasil aguardava uma posição da Embaixada de Israel sobre a violência contra os jornalistas e busca adicionar essa informação à reportagem.

A Faixa de Gaza é um território palestino que tem sido alvo de intensos bombardeios desde um ataque do Hamas a vilas israelenses em outubro de 2023, resultando em 1,2 mil mortes e 220 reféns. O Hamas alegou que a ofensiva foi uma resposta ao cerco que dura mais de 17 anos e à ocupação israelense.

Desde então, os ataques israelenses resultaram em mais de 60 mil mortes, além da destruição de hospitais, escolas e outras infraestruturas essenciais. O bloqueio nas fronteiras também tem dificultado a entrada de alimentos e medicamentos, intensificando a crise humanitária. Israel justifica suas ações como necessárias para resgatar reféns ainda em posse do Hamas e eliminar o grupo.

O conflito ocupou destaque na Assembleia Geral da ONU, realizada recentemente em Nova York. Durante o evento, países aliados de Israel e dos Estados Unidos, como Reino Unido, França, Canadá e Austrália, reconheceram oficialmente o Estado palestino. O Brasil, que apoia a soberania da Palestina desde 1967, defende a coexistência pacífica de dois Estados.

Apesar da pressão internacional, o governo israelense reafirmou sua oposição à criação de um Estado palestino.

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