Um estudo brasileiro com terapia celular CAR-T alcançou resposta clínica em 87,5% dos pacientes com linfoma não Hodgkin que não responderam a tratamentos anteriores, como quimioterapia, radioterapia e transplante.
A pesquisa foi conduzida no Hemocentro de Ribeirão Preto em parceria com o Instituto Butantan e o Ministério da Saúde. Os resultados preliminares foram apresentados pelo Ministério nesta quarta-feira (10). O governo federal investiu R$ 100 milhões no projeto.
O estudo continua em andamento e segue protocolos internacionais. Há acompanhamento previsto por pelo menos um ano a partir da aplicação da terapia para análise de marcadores de segurança e eficácia. Com o último participante incluído em maio, as autoridades estimam cerca de um ano e meio para concluir as análises e avaliar a possível solicitação de registro do produto.
Atualmente, tratamentos semelhantes na rede privada custam cerca de R$ 2,5 milhões. O plano do governo é incorporar a terapia ao SUS de forma gratuita. O custo de aquisição pelo Ministério da Saúde deve ser menor em função da escala de produção e da participação de instituições públicas e sem fins lucrativos. A unidade produtiva em Ribeirão Preto, apontada como a maior da América Latina e do Sul Global, tem capacidade para até 1.000 terapias.
A pesquisa também inclui crianças e adolescentes. No protocolo para leucemia linfoblástica aguda — o câncer infantil mais comum, responsável por 70% a 80% dos casos na infância — são recrutados pacientes entre 3 e 25 anos. Embora mais de 90% das crianças respondam à quimioterapia convencional, a terapia celular é direcionada aos cerca de 10% que não apresentam resposta ao tratamento padrão. Para linfomas, com prevalência muito menor em crianças, o recrutamento está voltado a maiores de 18 anos.
O governo destinou R$ 180 milhões para a segunda fase do programa Genomas Brasil. Iniciado em 2020 e com base na USP de Ribeirão Preto, o projeto passará a incluir novas universidades, entre elas a Universidade de Brasília (UnB), que receberá o primeiro laboratório do tipo na região Centro-Oeste, além de ampliar a participação de hospitais do SUS.
Dados do programa indicam que o Brasil possui grande diversidade genômica, o que potencializa o desenvolvimento de medicamentos. A nova lei de pesquisa clínica, sancionada em 2025, foi apontada como fator de redução de burocracia e encurtamento de prazos para aprovação de estudos, contribuindo para um aumento de 30% da participação do país em pesquisas clínicas internacionais naquele ano.
O mapeamento do exoma, realizado por laboratórios parceiros do projeto, passou a ser provido pelo Ministério da Saúde para todos os centros de especialidades do SUS. A tecnologia permite reduzir o diagnóstico de doenças raras em crianças de cerca de sete anos para os primeiros seis meses de vida, possibilitando intervenções mais precoces e melhor prognóstico.



