segunda-feira, junho 8, 2026
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Uso indevido de corticoides pode causar glaucoma e levar à cegueira

O uso inadequado de corticoides sem prescrição médica pode aumentar o risco de desenvolvimento de glaucoma, alertam sociedades médicas oftalmológicas brasileiras.

O glaucoma é uma doença do nervo óptico associada à elevação da pressão intraocular. Não tem cura e, se não for tratada, pode levar à perda da visão. Estima-se que pelo menos 1,7 milhão de brasileiros convivam com a doença. Entre pessoas com mais de 40 anos, a prevalência é calculada entre 2,5% e 3,5%.

Colírios, pomadas e comprimidos que contenham corticoides podem trazer benefício no controle da inflamação, mas o uso prolongado e sem acompanhamento médico compromete a drenagem do líquido intraocular. Esse acúmulo eleva a pressão dentro do globo ocular e pode provocar lesões irreversíveis no nervo óptico, culminando em glaucoma.

Além do risco ocular, o uso indiscriminado de corticoides pode causar efeitos sistêmicos. Entre os problemas citados estão aumento da glicemia, piora do controle do diabetes, ganho de peso, retenção de líquidos, hipertensão, redução da massa óssea, maior suscetibilidade a infecções e alterações hormonais.

As sociedades Brasileira de Glaucoma (SBG), Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) encaminharam nota pública à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao Ministério da Saúde, ao Congresso Nacional e a entidades médicas, chamando atenção para os perigos do uso indiscriminado de fórmulas com corticoides pela população.

As entidades também têm promovido campanhas de informação dirigidas a outras especialidades médicas — como ortopedia, reumatologia, pediatria e geriatria — que frequentemente prescrevem corticoides e atendem pacientes que podem ter glaucoma pré-existente.

Entre as propostas em discussão está a adoção de controle mais rigoroso na prescrição de corticoides, modelo semelhante ao aplicado aos antibióticos, com mecanismos que dificultem a compra e o autotratamento sem orientação médica.

Crianças com alergia ocular representam grupo de atenção especial: o uso crônico de colírios com corticoide pode elevar a pressão intraocular e contribuir para o surgimento precoce de catarata.

As sociedades recomendam monitoramento regular da pressão intraocular em pacientes submetidos a tratamento prolongado com corticoides, especialmente em crianças e em grupos de risco. Observa-se também que, a partir dos 40 anos, a prevalência de glaucoma tende a aumentar a cada década de vida, elevando a importância do acompanhamento em pacientes mais velhos que recebam corticoides.

Em países desenvolvidos, o uso de corticoides costuma ser mais controlado e há maior integração de informações entre diferentes especialidades médicas, o que é apontado como prática a ser buscada no Brasil para reduzir riscos à visão.

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