sábado, maio 30, 2026
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Avião brasileiro fará transporte de alimentos entre cidades da Bolívia

O Brasil vai enviar ajuda humanitária aérea destinada a mitigar o desabastecimento em La Paz, capital da Bolívia, em razão de bloqueios de estradas que já duram mais de três semanas.

A operação, sem data definida, será coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em parceria com o Ministério da Defesa. A Força Aérea Brasileira (FAB) deve disponibilizar a aeronave solicitada pelo governo brasileiro.

O plano prevê que o avião saia de Brasília com alimentos destinados a La Paz. Depois do pouso, a mesma aeronave fará voos internos entre Santa Cruz de La Sierra — região de menor altitude do país — e a capital, transportando itens fornecidos por autoridades bolivianas ou por organizações locais.

Na segunda-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve contato telefônico com o chefe de Estado boliviano, Rodrigo Paz, que solicitou a cooperação humanitária, segundo informou a Presidência brasileira.

A medida ocorre em meio a uma série de protestos e bloqueios que se transformaram em mobilizações de ampla participação social, envolvendo camponeses, indígenas, mineiros, professores e outros setores. As manifestações ganharam força após medidas do governo que vinham provocando contestação desde o início do mandato, em dezembro de 2025, quando foi editado um decreto que retirou o subsídio à gasolina.

O aumento das tensões também se relaciona a mudanças propostas em legislação fundiária, que críticos afirmaram favorecer interesses do agronegócio em detrimento de pequenos agricultores. O governo disse que as alterações tinham objetivo de fortalecer a produção agrícola em cenário de crise econômica; a norma acabou revogada após pressão popular, mas os protestos prosseguiram.

A repressão aos atos deixou mortos, feridos e levou à detenção de dirigentes. As autoridades governamentais acusaram parte das mobilizações de ter ligação com organizações criminosas, alegação que também encontrou respaldo por parte dos Estados Unidos. Por sua vez, setores mobilizados exigem a renúncia do presidente, considerando que ele perdeu condições de governar.

O ex-presidente Evo Morales foi apontado pelo governo como um dos instigadores das manifestações. Em resposta ao quadro político, foram sugeridas alternativas como a convocação de novas eleições ou compromissos do Executivo sobre políticas econômicas e privatizações.

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