terça-feira, maio 12, 2026
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Economistas dizem que juros pressionam a dívida mais que os gastos públicos

Nos últimos 12 meses até março, o Brasil destinou R$ 1,08 trilhão ao pagamento de juros, equivalente a 8,35% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período, a Dívida Bruta do Governo Central alcançou 80,1% do PIB, cerca de R$ 10,4 trilhões, um aumento de 1,4 ponto percentual em relação ao ano anterior.

O Banco Central informou que a alta da dívida se deveu principalmente à incorporação de juros nominais (+2,4 p.p.) e, em menor medida, às emissões líquidas de dívida (+0,4 p.p.).

Esses números reacendem o debate sobre a relação entre gastos públicos, juros e endividamento. Enquanto a política monetária tem elevado a taxa básica para controlar a inflação, o montante desembolsado com juros representa uma carga fiscal significativa e redireciona recursos para o serviço da dívida.

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central identificou riscos fiscais e recomendou disciplina fiscal, apontando que retrocessos em reformas estruturais e incertezas sobre a trajetória da dívida podem pressionar a taxa de juros.

A economia doméstica também enfrenta pressão por conta do endividamento das famílias, fato que levou o governo a criar o programa Novo Desenrola. Em termos internacionais, o país figura entre os que praticam as maiores taxas de juros reais do mundo.

O próprio Banco Central estima que cada ponto percentual de alta na Selic eleva a dívida pública em mais de R$ 50 bilhões, reforçando a ligação entre taxa de juros e evolução do endividamento.

Há divergência entre analistas sobre a solução para o problema. Parte do debate defende cortes nos gastos públicos como caminho para reduzir juros e conter a dívida. Outra corrente argumenta que o gasto público tem efeito multiplicador na economia e que reduzir investimentos e gastos sociais pode prejudicar o crescimento, reduzir receitas e, no fim, afetar ainda mais a dívida.

Questões institucionais também influenciam o tamanho do gasto público: a Constituição brasileira prevê prestação de serviços como saúde e educação de forma universal, o que implica maior demanda por recursos em comparação a países com arranjos diferentes.

Além das ações fiscais e monetárias, especialistas destacam a importância de políticas que estimulem a oferta e a capacidade produtiva como componente adicional para controlar a inflação de forma sustentável, sem depender exclusivamente do aperto da demanda via juros elevados.

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