quinta-feira, março 26, 2026
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Estudo da USP pode impulsionar novas terapias para doença rara

Um estudo clínico internacional, publicado no The New England Journal of Medicine, avaliou a eficácia de um novo medicamento destinado a pacientes com hipertensão arterial pulmonar (HAP). Esta doença rara e grave afeta os vasos sanguíneos dos pulmões, levando a complicações significativas. O novo fármaco, conhecido como Sotatercept, foi testado em pacientes em estágios avançados da doença, com o objetivo de reduzir a espessura dos vasos pulmonares e facilitar a circulação sanguínea, aliviando assim a sobrecarga cardíaca.

A HAP é mais comum entre mulheres de 40 a 50 anos e, se não tratada, pode resultar em uma expectativa de vida inferior à de vários tipos de câncer. Os sintomas incluem fadiga extrema e falta de ar, que ocorrem até mesmo em atividades simples. No Brasil, estima-se que cerca de 5 mil pacientes sofram dessa condição.

O diagnóstico da HAP pode ser complicado, uma vez que os sintomas iniciais são frequentemente inespecíficos e podem ser confundidos com outras doenças, como insuficiência cardíaca. Isso pode atrasar o início do tratamento, comprometendo o estado de saúde do paciente.

O Sotatercept já possui aprovação pelo FDA e pela EMA, e milhares de pacientes já estão utilizando o medicamento. No Brasil, o fármaco foi registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no final de 2024, mas ainda não está incluído no Sistema Único de Saúde (SUS). A administração do medicamento é feita por meio de uma injeção subcutânea, que pode ser autoaplicada a cada três semanas, embora o custo do tratamento seja elevado.

Os especialistas ressaltam a necessidade de aumentar a conscientização sobre a HAP e a importância de incorporar o novo tratamento no SUS, principalmente para pacientes em estado grave. O objetivo é demonstrar ao governo como a nova terapia pode reduzir as taxas de internação, necessidade de transplante e mortalidade entre os pacientes.

Atualmente, a alternativa para muitos pacientes é o transplante de pulmão. O novo medicamento pode potencialmente liberar pessoas da fila para transplante, proporcionando uma melhora significativa na qualidade de vida.

O Ministério da Saúde informou que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) ainda não recebeu solicitações para avaliar o Sotatercept. Essa comissão é responsável por analisar evidências científicas sobre a eficácia e segurança de novos tratamentos.

No âmbito do SUS, já estão disponíveis opções de tratamento para a hipertensão arterial pulmonar, incluindo ambrisentana, bosentana, iloprosta, selexipague e sildenafila, seguindo as diretrizes clínicas estabelecidas.

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