quarta-feira, abril 15, 2026
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Instituição alerta que desinformação prejudica diagnóstico do câncer de pele

Pesquisadores da Fundação do Câncer identificaram lacunas relevantes nos bancos de dados oficiais sobre câncer de pele no Brasil, que podem comprometer ações de diagnóstico precoce e tratamento. Em 2023, a doença matou 5.588 pessoas no país.

A análise considerou informações dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC), do Integrador dos Registros Hospitalares de Câncer (IRHC) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade. O estudo aponta falta de dados sobre raça/cor da pele em mais de 36% dos registros e ausência de informação sobre escolaridade em cerca de 26% dos casos.

A Região Sudeste (ES, MG, RJ e SP) apresentou os maiores percentuais de incompletude na variável raça/cor da pele: 66,4% nos casos de câncer de pele não melanoma e 68,7% nos registros de melanoma. Já a Região Centro-Oeste (DF, GO, MS e MT) teve os piores índices de falta de informação sobre escolaridade — 74% para não melanoma e 67% para melanoma.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pele é o mais incidente no Brasil. Entre os tipos mais comuns estão os carcinomas basocelular e espinocelular (classificados como não melanoma). O melanoma é menos frequente, mas mais agressivo e com maior potencial de disseminação.

O Inca projeta que, entre 2026 e 2028, serão registrados anualmente cerca de 263.282 casos de câncer de pele não melanoma e 9.360 casos de melanoma. A maior parte dos diagnósticos deve ocorrer na região Sul (PR, RS e SC), que em 2024 registrou as mais altas taxas de mortalidade por melanoma, sobretudo entre homens.

Com base em dados do Inca, a Fundação do Câncer informa que, entre 2014 e 2023, foram registrados 452.162 casos de câncer de pele no país. A doença é mais frequente a partir dos 50 anos. O câncer de pele não melanoma apresenta maior mortalidade entre homens, enquanto o melanoma atinge homens e mulheres de forma semelhante em todas as regiões.

A exposição à radiação ultravioleta é apontada como o principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele, com risco mais elevado em pessoas de pele clara e dependendo da intensidade e do padrão da exposição. Outros fatores associados incluem histórico familiar, presença de nevos displásicos, múltiplos nevos, queimaduras solares intensas na infância ou adolescência e exposições ocupacionais ou ambientais específicas. Fontes artificiais de radiação, como câmaras de bronzeamento, também aumentam o risco.

O estudo ressalta a importância de medidas de prevenção que considerem não só o uso de protetor solar, mas também proteção para trabalhadores expostos ao sol, como roupas, chapéus e óculos com proteção UV.

O Ministério da Saúde informou que analisa os resultados da pesquisa.

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