O Ministério da Saúde confirmou 88 casos de Mpox no Brasil, com a maior concentração no estado de São Paulo. Segundo o órgão federal, São Paulo registra 62 ocorrências desde janeiro. Os demais casos estão distribuídos pelo país: Rio de Janeiro (15), Rondônia (4), Minas Gerais (3), Rio Grande do Sul (2), Paraná (1) e Distrito Federal (1).
A maior parte dos infectados apresenta quadro leve a moderado, e não foram registrados óbitos neste contingente atual. Em 2025, o país contabilizou 1.079 casos e duas mortes, segundo dados oficiais do ministério.
O que é Mpox
A Mpox é causada pelo vírus Monkeypox. A transmissão ocorre por contato pessoal próximo com lesões na pele, fluidos corporais, sangue ou mucosas de pessoas infectadas. A manifestação mais comum é uma erupção cutânea — semelhante a bolhas ou feridas — que pode perdurar entre duas e quatro semanas.
Além da erupção, o quadro pode incluir febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, cansaço e aumento de gânglios linfáticos. As lesões podem surgir no rosto, nas palmas das mãos, nas solas dos pés, na virilha, nas regiões genitais ou anal.
Formas de transmissão
O vírus se espalha por contato próximo: fala ou respiração a curta distância (gotículas ou aerossóis de curto alcance), contato pele com pele (toque ou relações sexuais), contato boca a boca e contato boca-pele (sexo oral ou beijo).
Também há risco por transmissão indireta ao compartilhar objetos recém-contaminados com fluidos ou material proveniente de lesões, como roupas, toalhas e lençóis.
Período de incubação e diagnóstico
O período de incubação varia geralmente entre 3 e 16 dias, podendo chegar a 21 dias. O diagnóstico definitivo depende de exame laboratorial, por isso é recomendado procurar uma unidade de saúde ao notar sintomas.
O diagnóstico diferencial deve considerar varicela zoster, herpes (simples e zoster), infecções bacterianas de pele, infecção gonocócica disseminada, sífilis, cancróide, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal, molusco contagioso, reações alérgicas e outras causas de erupção papular ou vesicular.
Isolamento e cuidados
O Ministério da Saúde recomenda isolamento imediato para casos suspeitos ou confirmados e evitar o compartilhamento de objetos e itens de uso pessoal, como toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente e talheres, até o fim do período de transmissibilidade.
Também são indicadas medidas de higiene: lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel, especialmente após contato com a pessoa infectada ou com seus pertences. Roupas de cama e itens contaminados devem ser lavados com água morna e detergente. Superfícies precisam ser limpas e desinfetadas, e resíduos contaminados descartados de forma adequada.
Tratamento e prevenção
Não há medicamento especificamente aprovado para Mpox. O tratamento é voltado ao alívio dos sintomas, prevenção de complicações e redução de sequelas. A maioria dos casos evolui de forma leve ou moderada.
A principal medida preventiva é evitar contato direto com pessoas suspeitas ou confirmadas. Se o contato for inevitável, recomenda-se uso de equipamentos de proteção individual, como luvas, máscara, avental e óculos de proteção.
Gravidade e risco de morte
Na maioria dos infectados, os sintomas desaparecem espontaneamente em semanas. Entretanto, o vírus pode causar complicações graves e resultar em morte em casos mais severos.
Populações mais vulneráveis incluem recém-nascidos, crianças e pessoas com imunossupressão. Complicações graves podem envolver lesões extensas (especialmente na boca, olhos e genitais), infecções bacterianas secundárias da pele, sepse, pneumonia, encefalite, miocardite e problemas oculares. Casos graves podem exigir internação, cuidados intensivos e uso de antivirais.
Estatísticas de mortalidade variam conforme acesso a cuidados e condições clínicas, com taxas relatadas entre 0,1% e 10% em diferentes contextos.
Dados de São Paulo
Há divergência entre os números federal e estadual. A Secretaria de Saúde de São Paulo (SES‑SP) informa 50 casos no estado. Segundo a SES‑SP, a cidade de São Paulo concentra 31 registros. Outras cidades com um caso cada são Campinas, Paulínia, Sumaré, Hortolândia, Sorocaba, Várzea Paulista, Araraquara, Osasco, Cotia, Jandira, Serrana, Arujá, Santos, Guarulhos e Pradópolis. Ribeirão Preto e Mogi das Cruzes registraram dois casos cada.
No ano anterior, a SES‑SP registrou 79 casos em janeiro e 47 em fevereiro, totalizando 126 casos nos dois primeiros meses do ano.



