O advogado de Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, confirmou uma nova condenação da ativista iraniana. Trata-se da oitava sentença contra ela ao longo de 25 anos de atuação contra a pena de morte e o código de vestimenta rígido para mulheres.
Mohammadi foi detida em 12 de dezembro de 2025 em Mashhad, no nordeste do Irã, juntamente com outros ativistas, após participar de uma cerimônia em memória de um advogado encontrado morto.
Segundo seu advogado, a nova condenação prevê seis anos de prisão por reunião e conspiração para cometer crimes. Há também uma proibição de deixar o país por dois anos.
Em processo separado, Mohammadi já havia sido sentenciada a 18 meses de prisão por atividades de propaganda e a dois anos de exílio interno na cidade de Khosf, na província de Khorasan do Sul.
Pelas regras do sistema judiciário iraniano, penas privativas de liberdade não podem ser cumpridas de forma consecutiva. A última sentença ainda pode ser objeto de recurso.
No fim de 2024, Mohammadi chegou a ser libertada por três semanas por motivos médicos, após a remoção de um tumor e um enxerto ósseo. Atualmente ela cumpre nova detenção e, segundo relatos, iniciou uma greve de fome há cerca de uma semana — uma das várias realizadas ao longo dos episódios de prisão e julgamento.
Em janeiro deste ano, a fundação que leva o nome da ativista informou que agentes de segurança realizaram uma busca na casa do irmão de Mohammadi em Mashhad, enquadrando a ação como parte de uma pressão crescente sobre a família nos últimos meses.
Mohammadi não vê os dois filhos, que vivem em Paris, desde 2015. O último contato telefônico registrado com a família ocorreu em 14 de dezembro.
A última década da vida da ativista foi majoritariamente passada atrás das grades. Mesmo na prisão, ela teria organizado manifestações no pátio e promovido greves de fome.
A agência Efe noticiou, com base em fontes não identificadas, que a detenção de Mohammadi tem sido marcada por espancamentos e pela negação de assistência médica, circunstâncias que oferecem risco à sua vida, dadas informações sobre problemas cardíacos.



