terça-feira, março 31, 2026
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Brasil e Rússia defendem uso pacífico da energia nuclear em fórum

Brasil e Rússia firmaram um documento em que defendem o uso da energia nuclear exclusivamente para fins pacíficos. O texto foi assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin durante o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado nesta quinta-feira (5) no Itamaraty, em Brasília.

O acordo menciona interesse em ampliar a produção de radioisótopos medicinais e em desenvolver projetos conjuntos ligados à geração de energia nuclear, ao ciclo do combustível nuclear e à atualização da base jurídica bilateral de cooperação.

Na mesma data, expirou o tratado New START, que estabelecia limites para o arsenal nuclear entre Estados Unidos e Rússia.

Além do setor nuclear, o fórum destacou intenções de colaboração em indústria farmacêutica e médico-hospitalar, construção naval, tecnologias industriais digitais e segurança cibernética.

No documento, os países reforçam a defesa do multilateralismo e manifestam oposição a medidas coercitivas unilaterais, especialmente quando aplicadas a nações em desenvolvimento. O texto classifica tais medidas como incompatíveis com o direito internacional e com a Carta das Nações Unidas e afirma que agressões internacionais prejudicam direitos humanos, o desenvolvimento sustentável e a soberania dos Estados.

Em nota do Palácio do Planalto, foi informado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a necessidade de ações para fortalecer o multilateralismo. O documento também registra a ênfase na criação de um mecanismo de acompanhamento das iniciativas bilaterais, com objetivo de acelerar resultados e gerar benefícios concretos para os dois países, além de observar que o volume das trocas comerciais ainda não reflete o potencial econômico de Brasil e Rússia.

No campo comercial, Alckmin e Mishustin destacaram a relevância da parceria, com ênfase no setor agrícola. O Brasil aparece entre os maiores produtores e exportadores de alimentos, enquanto a Rússia é apontada como fornecedora importante de insumos estratégicos para a agricultura.

O fluxo comercial entre os países em 2025 foi estimado em cerca de US$ 11 bilhões, com saldo desfavorável ao Brasil devido a maior volume de importações. As autoridades reconheceram que a pauta comercial ainda é pouco diversificada e concentrada em produtos primários, e defenderam maior aproximação entre empresários para ampliar exportações de bens industrializados e fomentar parcerias em tecnologia, energia e saúde.

O governo brasileiro se comprometeu a oferecer previsibilidade, segurança jurídica e um ambiente favorável aos negócios para viabilizar essas iniciativas.

Do lado russo, o primeiro-ministro ressaltou a importância de estreitar contatos diretos, citando a Rússia entre os cinco principais parceiros de importação do Brasil e indicando que o mercado brasileiro absorve mais da metade dos produtos russos destinados à América Latina. Foi manifestada a intenção de diversificar o comércio, elevar a parcela de produtos com maior valor agregado e lançar projetos de longo prazo em áreas como química, energia (incluindo petróleo, gás e energia atômica), produção de medicamentos e exploração espacial.

No campo farmacêutico, o documento registra perspectivas de cooperação, com criação de condições para a entrada de produtos inovadores russos voltados a tratamentos oncológicos e de diabetes no mercado brasileiro. Também foi prevista a possibilidade de transferência de tecnologia e de cooperação regulatória na análise desses medicamentos.

Por fim, o texto ressalta oportunidades de intercâmbio tecnológico, citando investimentos russos em ferramentas modernas de cibersegurança e inteligência artificial, e a relevância de debater temas relacionados à soberania digital.

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