Os Estados Unidos anunciaram a saída de dezenas de organismos multilaterais, incluindo a Convenção‑Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), o Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund — GCF) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O governo informou que a retirada abrange, ao todo, 66 organizações; o anúncio foi feito na quarta‑feira (7).
A UNFCCC é o órgão da ONU responsável pela realização anual da Conferência das Partes (COP). A última cúpula do calendário climático foi a COP30, realizada em Belém, em novembro do ano passado.
O GCF é o principal mecanismo internacional de financiamento para ações climáticas. O IPCC reúne pesquisadores que produzem os relatórios científicos sobre aquecimento global utilizados por governos e organismos internacionais.
O Departamento do Tesouro dos EUA indicou que a continuidade da participação no GCF foi considerada incompatível com as prioridades da administração Trump, citando divergências sobre diretrizes de energia. Em comunicado oficial, a pasta justificou a saída como alinhada às metas do governo em matéria energética.
Organizações que atuam no debate climático registraram que o regime multilateral permanece em funcionamento, mas apontaram risco de redução imediata no financiamento climático internacional em razão da retirada americana.
Entre os efeitos práticos apontados por análises públicas estão a saída dos EUA de fóruns científicos e de mecanismos de financiamento que orientam políticas e investimentos globais em clima. Consequências econômicas e de coordenação internacional deverão ser acompanhadas nos próximos meses.



