O Conselho Nacional Eleitoral de Honduras (CNE) reiniciou a contagem manual dos votos da eleição presidencial nesta segunda-feira (8), após três dias de suspensão, marcada por tensões relacionadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump tem manifestado apoio ao candidato que lidera a disputa, Nasry Tito Asfura, com uma diferença de apenas 19 mil votos em relação ao segundo colocado.
A presidente do CNE, Ana Paula Hall, informou que a contagem foi retomada após a realização de ações técnicas e a execução de uma auditoria externa. Os resultados estão sendo atualizados para divulgação oficial.
Antes da retomada da contagem, Trump insinuou que o CNE estaria manipulando os resultados da eleição, ameaçando, em sua rede social, que haveria “consequências terríveis” caso qualquer alteração nos resultados ocorresse.
No domingo (7), o partido governante Libre, que apoia a presidente Xiomara Castro, pediu a anulação das eleições, alegando interferência por parte de Trump. O partido emitiu um comunicado condenando a intromissão e a liberação de um indulto ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, este condenado por narcotráfico nos Estados Unidos.
O indulto foi anunciado por Trump em meio à campanha, enquanto Hernández, do Partido Nacional, estava prestes a ser sentenciado a 45 anos de prisão por facilitar o tráfico de drogas para os EUA. Hernández e Asfura pertencem ao mesmo partido, que já elegeu 13 presidentes na história de Honduras.
Além disso, o partido Libre acusa Trump e seus aliados de disseminar mensagens nas redes sociais afirmando que os emigrantes hondurenhos não mandariam remessas caso não votassem no candidato apoiado por ele.
A contagem manual das urnas em Honduras mostra que, com aproximadamente 88% das cédulas apuradas, Asfura obteve 40,2% dos votos. Em seguida, Salvador Nasralla, do Partido Liberal, aparece com 39,51%. A candidata do partido Libre, Rixi Moncada, contabiliza 19,28%.
Diferentemente de outros países, Honduras não realiza segundo turno; o candidato com mais votos na primeira rodada é considerado o vencedor.
O professor de relações internacionais Gustavo Menon, da Universidade Católica de Brasília, analisa que esta interferência de Trump reflete a estratégia dos EUA para conter a influência da China na América Latina. Segundo ele, os EUA tradicionalmente veem a região como parte de sua esfera de influência, e a postura de Trump visa promover candidatos que se alinhem com seus valores conservadores e prioridades políticas, especialmente em relação à imigração. Ele também observa uma conexão entre o Partido Republicano e o Partido Nacional de Honduras, contrapondo-os ao Partido Liberal, que poderia ter conexões com interesses chineses.



