segunda-feira, março 30, 2026
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G20: Lula ressalta a importância da governança soberana em minerais essenciais e inteligência artificial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a importância de debater a soberania das nações em relação ao conhecimento e ao valor agregado dos minerais críticos, durante sua participação na Cúpula de Líderes do G20, realizada em Joanesburgo, na África do Sul, no último domingo (23).

O evento abordou temas como minerais essenciais, inteligência artificial e trabalho decente. Esses assuntos também foram discutidos na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorreu recentemente em Belém, no Pará.

Os minerais críticos são fundamentais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética, representando riscos devido à escassez e à dependência de poucos fornecedores. Exemplos incluem lítio, cobalto, níquel e elementos de terras raras, que são vitais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.

A mesa redonda do G20 pretende divulgar um documento que defende o benefício dos produtos minerais em seus lugares de origem, estabelecendo diretrizes para sua extração e beneficiamento.

A transição energética é vista como uma oportunidade para expandir inovações tecnológicas e redefinir a exploração de recursos naturais. O papel dos países detentores de grandes reservas de minerais deve ir além de meros fornecedores, incluindo um foco em controle sobre conhecimento e valor econômico gerado.

Lula destacou que a soberania deve ser entendida como a capacidade de transformar recursos por meio de políticas que tragam benefícios à população. Ele ressaltou a urgência de investimentos que sejam social e ambientalmente responsáveis, com o intuito de fortalecer a base industrial e tecnológica.

O Brasil detém aproximadamente 10% das reservas globais de minerais críticos, segundo o Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram). Contudo, a busca por esses recursos para a transição energética já gerou conflitos em novas frentes exploratórias e está acelerando a crise climática.

O país estabeleceu o Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos para desenvolver políticas adequadas no setor de mineração e visa ser um parceiro ativo na cadeia global de valor.

Quanto à inteligência artificial, Lula a considera uma oportunidade para um desenvolvimento mais justo entre as nações, propondo uma governança global que assegure a compartilhamento de seus benefícios. Ele destacou a importância de evitar a exclusão gerada pelo controle centralizado de dados e algoritmos.

Além disso, o presidente mencionou que uma significativa parcela da população mundial ainda carece de acesso à internet, o que agrava as disparidades entre países de diferentes níveis econômicos.

Por fim, Lula defendeu que o progresso tecnológico deve estar ligado à criação de empregos e à proteção dos trabalhadores, dado que muitos estão em áreas suscetíveis à automação devido à IA.

A Cúpula do G20, criada em 1999 para promover a cooperação econômica, em 2025 terá sua próxima reunião sob a presidência da África do Sul, focando em solidariedade, igualdade e sustentabilidade, com prioridades estabelecidas para fortalecer a resiliência, garantir a sustentabilidade da dívida dos países de baixa renda, apoiar a transição energética justa e explorar o potencial dos minerais críticos para o crescimento econômico.

Durante a cúpula, Lula também se reuniu com líderes do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas) e manteve encontros bilaterais com outros chefes de Estado. Após a cúpula, segue para Maputo, Moçambique, para uma visita de trabalho que celebra 50 anos de relações diplomáticas entre os países, retornando ao Brasil ainda na segunda-feira (24).

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