segunda-feira, março 30, 2026
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Equador diz não a bases militares estrangeiras em referendo

No último domingo (16), os eleitores do Equador rejeitaram todas as quatro propostas apresentadas pelo presidente Daniel Noboa, que se alinhava à direita política do país. Entre as questões discutidas, uma delas buscava autorizar a instalação de bases militares estrangeiras no território equatoriano, e outra propunha a convocação de uma nova Assembleia Constituinte para reescrever a Constituição.

Os demais tópicos em votação incluíam a proposta de eliminar o financiamento público dos partidos políticos e reduzir o número de parlamentares da Assembleia Legislativa de 151 para 73. Com mais de 91% dos votos apurados, 60,65% dos eleitores se opuseram à instalação das bases estrangeiras, enquanto 39,35% se mostraram favoráveis.

Após a divulgação dos resultados, Noboa indicou que respeitaria a decisão da população. Ele afirmou que seu compromisso com o país se manteria firme, destacando a continuidade de seus esforços pela nação.

A Constituição atual, que entrou em vigor em 2008, proíbe a presença de bases militares estrangeiras no Equador, levando ao fim da presença militar dos Estados Unidos em Manta em 2009. Noboa defendeu a necessidade de apoio militar americano no combate ao narcotráfico e, recentemente, recebeu a secretária de Segurança Nacional dos EUA em Manta para discutir essas questões.

A oposição, liderada pelo Partido Revolução Cidadã, comemorou o resultado, considerando que os equatorianos expressaram sua vontade de manter a soberania nacional e rejeitar interferências externas, principalmente dos Estados Unidos. Líderes opositores criticaram a proposta de Noboa, afirmando que ela representava uma ameaça aos direitos sociais garantidos pela Constituição.

Em relação à Assembleia Constituinte, a proposta de recriação da estrutura foi rejeitada com 61,65% dos votos contra 38,35%. Noboa argumentava que a atual Constituição abrigava proteções para criminosos, enquanto a oposição contesta que ele busca, na verdade, desmantelar direitos sociais conquistados recentemente.

Nos últimos anos, o Equador tem enfrentado uma grave crise de segurança, exacerbada pela mudança nas rotas do tráfico de drogas. Entre 2019 e 2024, os índices de homicídios aumentaram 588%, colocando o país entre os mais violentos da América Latina. A violência se intensificou com rebeliões e conflitos entre facções criminosas.

Após pouco mais de um mês no cargo, Noboa declarou estado de conflito armado interno, ampliando os poderes das forças armadas na segurança pública. Essas medidas geraram sérias preocupações sobre abusos dos direitos humanos, como torturas e prisões arbitrárias. Em fevereiro deste ano, Noboa foi reeleito sob acusações de fraude, prometendo endurecer sua abordagem ao crime, inspirando-se em políticas de outros líderes da região, como o presidente de El Salvador.

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