terça-feira, junho 16, 2026
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Rival do Brasil na Copa, Haiti encontra esperança em meio à crise

O Haiti será o próximo adversário do Brasil pelo Grupo C da Copa do Mundo, em partida marcada para sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), na Filadélfia (Estados Unidos). A seleção haitiana entrará em campo com um novo uniforme sem referência à luta anticolonial, mudança imposta pela Fifa.

No ranking da Fifa, as duas equipes ocupam extremos: o Brasil está na sexta posição e o Haiti aparece na lanterna. Conhecida como Les Grenadiers, a equipe haitiana volta a disputar uma Copa do Mundo 50 anos após a única participação anterior, em 1974. A volta ao Mundial ocorre em meio a uma grave crise política e humanitária no país, agravada por desastres naturais, como o terremoto de 2010.

Na estreia, o Haiti foi derrotado por 1 a 0 pela Escócia, apesar de ter apresentado maior controle de bola durante a partida — cerca de 47% de posse.

A relação entre Brasil e Haiti vai além dos campos. Em 2004, uma partida amistosa realizada em Porto Príncipe, organizada a convite do então presidente brasileiro, reuniu estrelas do futebol brasileiro como parte de uma iniciativa de apoio à população e ao processo de desarmamento no país, vinculada à presença da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil na época. A mobilização popular naquele jogo foi intensa, inclusive em áreas pobres da capital.

Entre os destaques da seleção haitiana está o centroavante Duckens Nazon, artilheiro da equipe com 44 gols em mais de 80 jogos. Nazon teve papel determinante na classificação ao marcar três gols em uma única partida nas eliminatórias, no empate por 3 a 3 contra a Costa Rica.

Politicamente, o país é hoje governado pelo primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé e enfrenta o controle de territórios da capital por grupos armados. A instabilidade tem raízes históricas desde a independência, proclamada em 1804, e permanece como fator de vulnerabilidade frente a interesses estrangeiros e elites locais. A Fifa exigiu a retirada de uma imagem que fazia referência à revolta anticolonial do uniforme da seleção, o que levou à substituição da camisa.

O terremoto de 2010 deixou cerca de 200 mil mortos — entre eles 18 militares brasileiros em missão de paz — e cerca de 1,5 milhão de desabrigados. Após a tragédia, o Brasil facilitou a entrada de haitianos no país. Entre 2015 e 2024, o Brasil recebeu pedidos de refúgio de 175 nacionalidades, com haitianos liderando a lista, seguidos por cubanos e venezuelanos.

Como parte das ações de cooperação, o Brasil apoiou a formação de agentes da Polícia Nacional do Haiti, após o encerramento da liderança brasileira na missão da ONU. Durante o período em que o país liderou a missão, surgiram denúncias relacionadas a violações de direitos humanos, abusos sexuais e à propagação de cólera. O general Augusto Heleno foi o primeiro comandante da força brasileira na Minustah.

Ainda sem um encontro oficial desde 2004, Brasil e Haiti mantêm vínculos que combinam futebol, cultura e iniciativas humanitárias.

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