**Comunidades Quilombolas do Rio Debatem Titulação em Encontro Climático**
Neste sábado (15), no centro do Rio de Janeiro, comunidades quilombolas se reuniram para a Cúpula das Vozes Quilombolas pelo Clima. O evento foi promovido pela Associação das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (Acquilerj), que destacou a grave questão da titulação de terras. Atualmente, entre as 54 comunidades quilombolas do estado, apenas três têm seus territórios devidamente titulados: Marambaia, Preto Forro e Campinho. No entanto, dois desses títulos apresentam inconsistências jurídicas que necessitam de revisão.
O encontro teve como objetivo criar um espaço participativo, onde as comunidades pudessem expressar suas demandas e estratégias. O tema central foi o fortalecimento da voz das comunidades em questões que as afetam diretamente.
Entre os desafios apontados, estão a lentidão nos processos de titulação e os impactos da especulação imobiliária, especialmente em regiões como Cabo Frio, que abriga sete comunidades quilombolas, das quais apenas uma é titulada. As comunidades certificadas pela Fundação Palmares ainda não garantem direitos territoriais, apenas reconhecem a identidade quilombola.
As lideranças locais relataram conflitos recorrentes com grileiros e fazendeiros, além de ameaças de morte e perseguição, especialmente quando tentam denunciar impactos ambientais em suas terras. A falta de recursos do Estado para compensar os donos de terras é uma barreira adicional que dificulta o processo de titulação.
A participação das comunidades quilombolas em eventos como a COP 30, que ocorrerá em Belém, foi considerada insuficiente. Embora algumas lideranças tenham participado na companhia de organizações representativas, a limitação do número de credenciais fornecidas gerou um sentimento de exclusão em relação às tomadas de decisão.
Durante o encontro, um representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mencionou a certificação da comunidade quilombola Pedra Bonita, que ocorre dentro do Parque Nacional da Tijuca. Essa certificação, segundo ele, representa um avanço no reconhecimento dos direitos da comunidade sobre seu território e modos de vida, embora a quantidade de famílias envolvidas ainda seja reduzida.
A cúpula teve como foco principal a busca por soluções e o fortalecimento das comunidades quilombolas no cenário atual, reafirmando a necessidade de reconhecimento e direitos efetivos em relação às suas terras.



