sábado, março 28, 2026
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Estudo aponta riscos enfrentados por crianças em situações de clima extremo

Duas pesquisas recentes destacam os impactos das mudanças climáticas na saúde das crianças brasileiras. Uma delas, realizada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal em parceria com o Datafolha, revela que 80% da população teme os efeitos das mudanças climáticas em crianças de 0 a 6 anos. O levantamento, chamado “Panorama da Primeira Infância: o impacto da crise climática”, entrevistou 2.206 pessoas entre 8 e 10 de abril de 2025, incluindo 822 responsáveis por crianças.

Dentre os entrevistados, 71% expressaram preocupação em relação à saúde dos pequenos, com doenças respiratórias sendo a principal preocupação. Outros riscos elencados incluem o aumento de desastres naturais, como enchentes e secas (39%), e dificuldades no acesso a água potável e alimentos (32%). Em contrapartida, 15% acreditam que as mudanças climáticas trarão maior consciência ambiental e 6% confiam que serão encontradas soluções para mitigar os danos.

Um segundo estudo, realizado por especialistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e outras instituições, complementa essas descobertas. Publicada na revista *Environmental Research*, a pesquisa evidencia que bebês em estágio neonatal, com idades entre 7 e 27 dias, apresentam um risco 364% maior de mortalidade em situações de frio extremo em comparação a condições normais. Além disso, o risco de morte aumenta em 85% durante períodos de calor extremo para crianças entre 1 e 4 anos.

Os pesquisadores analisaram mais de um milhão de óbitos de crianças com menos de cinco anos ao longo de 20 anos, revelando que a mortalidade nessa faixa etária apresenta um aumento de 95% no frio extremo e 29% no calor extremo em comparação a dias com temperaturas amenas.

As análises utilizaram dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Sistema Único de Saúde (SUS) e de informações meteorológicas diárias. A pesquisa ressalta que as crianças pequenas são mais vulneráveis a extremos climáticos devido à imaturidade dos mecanismos de regulação térmica em seus corpos.

As diferenças regionais no Brasil mostram que o aumento na mortalidade infantil relacionada ao frio foi mais acentuado no Sul, com um aumento de 117%, enquanto no Nordeste observou-se um crescimento de 102% nos óbitos associados ao calor. As taxas de mortalidade infantis permanecem elevadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que enfrentam maiores desafios socioeconômicos e menores acesso a infraestrutura básica. O aumento das temperaturas adiciona mais uma camada de risco à situação já delicada dessas regiões.

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