Nesta quinta-feira (9), estreia o documentário “Vai para a Argentina, Carajo!”, produzido pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL). A obra, filmada em agosto de 2023, analisa a ascensão de Javier Milei e sua popularidade, especialmente em relação à influência da mídia e dos setores tradicionais da economia, apesar de seu discurso de ruptura política.
Eduardo Moreira, narrador do filme, e Juliana Baroni, diretora ao lado do argentino Fabián Restivo, viajaram a Buenos Aires para entrevistar tanto críticos quanto apoiadores da atual administração, abrangendo desde o centro financeiro até comunidades periféricas.
O documentário aborda os impactos do ajuste fiscal e os cortes significativos nos orçamentos de Cultura, Direitos Humanos, Educação, Ciência e Assistência Social. A equipe utilizou celulares para a filmagem, refletindo uma estética que prioriza a proximidade com o público e foi influenciada pelas limitações orçamentárias.
Além das imagens captadas nas ruas argentinas, o filme incorpora elementos gerados por inteligência artificial e clipes que recuperam discursos de Milei, assim como registros de protestos contra o presidente. O clima de insatisfação é palpável, com manifestações ocorrendo regularmente, principalmente às quartas-feiras.
Neste ano, um dos maiores protestos, organizado anualmente junto às Mães da Praça de Maio, atraiu cerca de 800 mil participantes. As principais reivindicações giram em torno dos cortes em serviços essenciais e aposentadorias, além da demanda por mais financiamento para universidades e órgãos públicos.
O documentário também reflete sobre a força dos movimentos sociais argentinos e traça a trajetória política do país desde o período de Perón, na década de 1940, para contextualizar a ascensão de Milei.
Durante a pré-estreia em São Paulo, Moreira destacou os desafios enfrentados na divulgação do filme. Anúncios críticos ao presidente foram removidos das plataformas sociais, enquanto um teste sem conteúdo negativo foi o único a ser aprovado.
Giácomo Oliveira, diretor de marketing do ICL, relatou que, até o momento, a campanha de divulgação do filme enfrentou obstáculos sem precedentes. A estratégia agora é alcançar o público já engajado, com a expectativa de que pelo menos 50 mil pessoas acompanhem a estreia.
O documentário pode ser assistido gratuitamente no canal oficial do ICL no YouTube.



