**Benito di Paula é homenageado por trajetória no samba romântico**
O músico e compositor Benito di Paula morreu em 18 de outubro, em São Paulo, aos 85 anos. Nascido em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 1941, ele construiu uma carreira marcada pela combinação entre samba, romantismo e forte presença do piano nos arranjos.
O artista se tornou um dos maiores vendedores de discos do país e levou seu repertório a apresentações na Europa, na América Latina e no Japão. Entre os principais sucessos estão “Retalhos de Cetim”, “Charles Brown”, “Mulher Brasileira” e “Ah! Como Eu Amei”.
A obra de Benito di Paula ganhou destaque por colocar o piano no centro de suas composições, em contraste com a instrumentação mais tradicional do samba, baseada no violão de sete cordas, cavaquinho e percussão. Seu estilo foi identificado pela crítica como “samba-jóia”, vertente de forte apelo romântico.
O cantor também é apontado como uma referência para o desenvolvimento do samba romântico e do pagode romântico, gêneros que ganharam projeção especialmente nos anos 1990. Grupos como Raça Negra, Só Pra Contrariar e Katinguelê adotaram características semelhantes, com letras amorosas e arranjos mais suaves.
As canções de Benito di Paula se destacaram ainda por retratarem mulheres de forma valorizada, em oposição a uma tradição de sambas que frequentemente associava personagens femininas a estereótipos negativos.
A homenagem ao compositor foi tema do programa Viva Maria, que abordou o trabalho do produtor multimídia Ruy Godinho. Ele é autor da série “Então Foi Assim?”, dedicada às histórias e curiosidades por trás de composições brasileiras. A coleção reúne quatro volumes sequenciais e uma edição voltada exclusivamente à obra de compositores do Amapá.



