terça-feira, abril 28, 2026
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Uso indevido de canetas para emagrecer pode causar danos graves à saúde

A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa nesta semana uma proposta de instrução normativa que detalha procedimentos e requisitos técnicos para medicamentos agonistas do receptor GLP‑1, conhecidos como canetas emagrecedoras.

O uso desses medicamentos — cujos princípios ativos incluem semaglutida, tirzepatida e liraglutida — se expandiu nos últimos meses, impulsionando também um mercado paralelo de vendas ilegais. No Brasil, esses produtos só podem ser dispensados mediante prescrição médica.

Em razão dos riscos à saúde, a Anvisa vem adotando medidas para coibir o comércio irregular, incluindo versões manipuladas sem autorização. A agência também constituiu grupos de trabalho para reforçar o controle sanitário e a segurança dos pacientes.

Nesta semana, a Anvisa assinou uma carta de intenções com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF) com o objetivo de promover o uso racional e seguro desses medicamentos. A iniciativa prevê troca de informações, alinhamento técnico e ações educativas entre as instituições.

Dados levantados pela própria Anvisa apontam para um aumento expressivo na importação de insumos usados na manipulação dessas fórmulas. No segundo semestre de 2025 foram importados mais de 100 quilos de insumos, volume que a agência estima ser suficiente para a preparação de aproximadamente 20 milhões de doses. A Anvisa também registrou apreensões que totalizam cerca de 1,3 milhão de unidades por irregularidades no transporte, armazenamento ou procedência.

A agência tem documentado ainda relatos de efeitos adversos mais graves relacionados ao uso desses medicamentos, incluindo casos de pancreatite. Segundo a Anvisa, a compra em canais não regulamentados e o armazenamento inadequado podem aumentar esses riscos.

Desde junho do ano passado, farmácias e drogarias passaram a reter as receitas para medicamentos dessa classe como medida de controle do consumo e da distribuição.

A proposta em debate e as ações combinadas com os conselhos visam reduzir práticas e produtos irregulares e resguardar a saúde da população brasileira.

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