terça-feira, junho 30, 2026
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Trabalhadores relatam riscos em obras de hospital municipal em São Paulo

Trabalhadores do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), em São Paulo, denunciaram falta de medidas de segurança nas obras de modernização da unidade, afirmando que a forma como os serviços estão sendo executados expõe pacientes e funcionários a riscos à saúde.

O Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep) relatou que áreas críticas têm sido isoladas apenas com plástico preto e fita adesiva. Segundo o sindicato, há nove intervenções em curso sem gestão adequada de riscos ocupacionais e sem cronograma pactuado com os trabalhadores.

A entidade também informou que, dois meses após a primeira denúncia, uma obra localizada dentro do centro cirúrgico continuava delimitada apenas por plásticos. O Sindsep manifestou apoio às reformas em si, mas criticou a forma de execução e a ausência de planejamento que não considera o fluxo assistencial.

A administração municipal, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), confirmou que o HSPM passa por um conjunto amplo de obras para modernização das instalações, com previsão de conclusão até o final do ano. A pasta informou que os serviços são acompanhados pelas equipes de Engenharia, Segurança do Trabalho e Controle de Infecção Hospitalar da unidade.

Risco de contaminação e ruído

Entre os riscos apontados nas denúncias estão a geração de pó fino proveniente das intervenções, que pode aumentar a chance de infecções respiratórias. O Sindsep alertou para a possibilidade de transporte de esporos de fungos, como Aspergillus, por partículas de poeira, o que representa ameaça especialmente a pacientes imunocomprometidos. O Ministério da Saúde relaciona ambientes hospitalares contaminados e obras com a transmissão de aspergilose, doença que pode ser grave e levar ao óbito em casos suscetíveis.

As reclamações do sindicato também incluem exposição a ruído excessivo em áreas com pacientes internados, além de registros de obras próximas a setores sensíveis, como pediatria e UTI pediátrica.

Incidentes anteriores e fiscalização

Em abril, o Sindsep divulgou imagens de vazamento de água em um dos andares do hospital, com água descendo por elevadores e alagamento do terceiro andar. Na ocasião, quatro dos sete elevadores foram paralisados, e trabalhadores e servidores tiveram de remover mobiliário e manobrar macas em meio à água. O sindicato afirmou ter apresentado denúncia ao Centro de Vigilância Sanitária (CVS) em abril.

A CVS do Estado de São Paulo informou que a vistoria identificou obras em áreas de circulação interna e constatou medidas de controle já adotadas pela instituição. A fiscalização emitiu recomendações para reforço de ações de controle de poeira, isolamento das áreas em obras, sinalização de segurança, limpeza e gerenciamento de riscos, visando a proteção de pacientes, profissionais e usuários. A vigilância sanitária também recomendou acompanhamento das intervenções pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) para monitoramento dos riscos ocupacionais.

Normas técnicas

A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 50/2002 da Anvisa estabelece requisitos para o planejamento, programação e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. A norma técnica brasileira NBR-7256, citada na resolução, prevê, por exemplo, a necessidade de barreira hermética em salas de cirurgia, medida que tem sido apontada como relevante para obras em ambientes críticos.

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