São Luís celebra nas primeiras horas desta terça-feira um dos principais eventos ligados ao Auto do Bumba Boi: o encontro de bois nos festejos de São Marçal, no bairro do João Paulo. A cerimônia também integra as comemorações do Dia Nacional do Bumba Meu Boi.
A programação atrai milhares de pessoas e brincantes para o tradicional encontro dos batalhões de bois de matraca. A expectativa é de que pelo menos 30 grupos do sotaque de matraca — também chamado de sotaque Ilha — desfilem pela Avenida São Marçal, acompanhados por matracas, pandeirões e tambores-onça, interpretando toadas ao longo do dia.
Esta é a 99ª edição do festejo de São Marçal. Historicamente, o evento marcava simbolicamente o encerramento do ciclo junino em São Luís. Nos últimos anos, porém, com arraiás fora de época ocorrendo em julho e cerimônias de morte do boi que se estendem por semanas, o encontro passou a sinalizar tanto o fechamento de uma temporada quanto o início de outra no calendário local do São João.
Embora não seja santo canonizado pela Igreja Católica, São Marçal é considerado protetor dos brincantes do bumba meu boi no estado. A festa tornou-se um símbolo de identidade cultural e de resistência.
A origem do festejo remonta a proibições que impediam os grupos de se apresentarem no Centro de São Luís durante o período junino, oficialmente para preservar a ordem e a segurança. Na prática, essa restrição refletia discriminação contra a manifestação cultural. Como a polícia da época impedia que os boieiros avançassem além dos limites do antigo bairro do Areal — hoje João Paulo — a região se consolidou como ponto de encontro e referência de resistência dos grupos de Bumba Boi.



