# Capacitação de profissionais busca reduzir recusa à doação de órgãos no Brasil
A recusa das famílias ainda é um dos principais entraves para a doação de órgãos no Brasil. Em média, cerca de 45% dos familiares consultados não autorizam o procedimento após a confirmação de morte encefálica, segundo dados do setor. O índice varia entre estados e até entre hospitais de uma mesma cidade.
Entre os fatores que influenciam a decisão estão a dificuldade de compreender ou aceitar o diagnóstico de morte encefálica, questões religiosas, receios sobre possíveis alterações no corpo e desconfiança em relação ao processo. A falta de conhecimento sobre a vontade do familiar em vida também pode impedir a autorização.
Problemas na comunicação e no acolhimento oferecido pelas equipes hospitalares, tanto da rede pública quanto da privada, também afetam a efetivação das doações. A orientação adequada às famílias é considerada uma etapa importante do processo, assim como a identificação dos potenciais doadores, a confirmação da morte encefálica e a manutenção clínica do paciente.
Para ampliar a qualificação dos profissionais envolvidos nessas etapas, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou 2.534 trabalhadores da saúde entre setembro de 2025 e agosto de 2026. O resultado supera em 25% a meta inicial de formar 2 mil participantes.
A iniciativa inclui treinamentos sobre gerenciamento do processo de doação e transplante e comunicação em situações críticas. Até agosto, foram promovidos 73 cursos, organizados em 23 módulos e realizados em 25 estados. Outros oito treinamentos estavam previstos para a conclusão do projeto, incluindo atividades em Fortaleza, no Ceará, e Florianópolis, em Santa Catarina.
Do total de profissionais capacitados, 933 eram médicos. Desse grupo, 473 receberam formação específica para a determinação de morte encefálica. Também participaram enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, além de um nutricionista e um pedagogo.
Dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), apontam que o país registrou 15.940 potenciais doadores em 2025. Desse total, 4.335 se tornaram doadores efetivos.
No mesmo período, 4.200 famílias não autorizaram a doação, número equivalente a 45% das entrevistas realizadas. A taxa de doadores efetivos chegou a 20,3 por milhão de habitantes em 2025, acima dos 19,2 registrados em 2024.



