Os Estados Unidos passaram a classificar, na noite de quinta-feira (28), as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, alteração que muda o enquadramento jurídico aplicado a esses grupos.
A nova designação amplia as possibilidades de ação por parte de autoridades norte-americanas, incluindo medidas como sanções econômicas, maior envolvimento de agências de inteligência e, em teoria, intervenções com apoio militar. Especialistas alertam que esse tipo de mudança pode gerar riscos à soberania e afetar a cooperação internacional no combate ao crime transnacional.
A Organização das Nações Unidas estabelece que, para uma organização ser considerada terrorista, suas ações devem ter motivação ideológica ou objetivos políticos. Esse critério é usado internacionalmente para diferenciar terrorismo de outras formas de crime organizado.
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, foi entrevistado nesta sexta-feira (29) no programa Alô Alô Brasil, transmitido pela Rádio Nacional. Gakiya integra investigações sobre o PCC há mais de 20 anos.
Analistas jurídicos apontam que a reclassificação feita pelos EUA altera o arcabouço legal aplicável às facções e pode repercutir nas relações bilaterais, sobretudo nos mecanismos de cooperação e troca de informações entre Brasil e Estados Unidos.



