quarta-feira, setembro 30, 2026

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OCDE aponta que 9% dos professores brasileiros não possuem qualificação completa

**Nove em cada 100 professores da rede pública não têm qualificação completa, aponta OCDE**

Cerca de 9% dos professores da educação básica pública brasileira não possuíam, entre 2024 e 2025, todas as qualificações exigidas para o exercício da função. O dado consta no relatório *Panorama da Educação 2026*, divulgado nesta terça-feira (29) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O índice brasileiro está próximo da média registrada nos países da organização, de 9,1%. A classificação inclui docentes sem diploma, certificação profissional ou formação pedagógica.

Segundo o levantamento, a contratação de profissionais sem a qualificação padrão costuma estar associada à falta de professores disponíveis. O problema é mais intenso em regiões remotas e áreas socialmente vulneráveis, além de afetar com maior frequência disciplinas como matemática e ciências naturais.

Apesar da queda nas matrículas, o número de docentes nos anos iniciais do ensino fundamental aumentou no país. Entre 2015 e 2024, o total de professores cresceu 4%, enquanto o número de estudantes recuou 7%.

Na média da OCDE, houve alta de 13% no número de docentes das escolas primárias, públicas e privadas, no mesmo período. O total de alunos nesses países avançou 2%.

A projeção da organização indica que a população brasileira de 5 a 14 anos deve diminuir 3% entre 2024 e 2033. Mantidas as demais condições, a redução demográfica tende a diminuir a demanda por profissionais da educação.

A falta de docentes também está relacionada à saída de profissionais das redes públicas. Em 2022, 10,3% dos professores brasileiros plenamente qualificados deixaram a profissão por aposentadoria ou desligamento. A média da OCDE foi de 6,4% no ano letivo de 2024-2025.

O indicador considera as saídas da rede e pode incluir professores que migraram para instituições privadas ou outras atividades, sem necessariamente abandonarem a docência.

As condições de trabalho e a remuneração aparecem entre os fatores que afetam a atração e a permanência de professores. Em 2022, 44,3% dos docentes brasileiros dos anos finais do ensino fundamental declararam satisfação com suas condições de trabalho. Nos países da OCDE, a média foi de 68,4%.

A satisfação salarial foi ainda menor no Brasil: 22,3% dos professores disseram estar satisfeitos com os vencimentos, ante 38,7% na média dos países integrantes da organização.

O Ministério da Educação informa manter iniciativas de valorização da carreira, incluindo o Piso Nacional do Magistério, atualmente fixado em R$ 5.130,63.

Entre as ações citadas pela pasta está o programa Mais Professores para o Brasil, criado em 2025. O governo também destaca o Pé-de-Meia Licenciaturas, voltado à atração de estudantes para cursos de formação docente.

De acordo com dados do MEC, as matrículas de alunos com alto desempenho no Enem em licenciaturas cresceram 106% entre 2024 e 2026. A pasta também menciona o acompanhamento anual dos cursos por meio do Enade, o fortalecimento do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e mudanças na formação inicial de professores.

O relatório aponta ainda a entrada de profissionais vindos de outras áreas como uma alternativa para amenizar a escassez. Em 2024, 11,5% dos professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental estavam na docência como segunda carreira. A média da OCDE foi de 8,4%.

Publicado todos os anos, o *Panorama da Educação* reúne indicadores para comparação entre sistemas educacionais. O Brasil participa do estudo desde 1997, com dados nacionais tratados e calculados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

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