sábado, setembro 26, 2026

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Formação continuada é essencial para professores de ciências, afirma pesquisadora

# Estudo aponta formação docente e infraestrutura como desafios para ensino de Stem no Brasil

O avanço do ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática — áreas reunidas pela sigla Stem, em inglês — depende de investimentos em infraestrutura e, principalmente, de formação contínua para professores. A conclusão está no relatório *Panorama da Educação Stem no Brasil*.

O estudo analisou a presença dessas disciplinas na educação básica de Manaus, Belém, João Pessoa, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. O levantamento foi elaborado pela Fundação Carlos Chagas, em parceria com o British Council.

Segundo o documento, a oferta de computadores e outros recursos tecnológicos nas escolas não é suficiente para consolidar o ensino de Stem. A preparação dos docentes precisa ocorrer de forma permanente e integrada à jornada de trabalho, considerando que parte dos profissionais atua em mais de uma unidade ou atende muitas turmas.

O relatório também indica a necessidade de combinar atividades presenciais e remotas na formação dos educadores. Entre os entraves registrados estão a resistência ao uso de tecnologias, a falta de domínio técnico e a insegurança de professores diante de novas ferramentas.

Outro desafio é reduzir as diferenças de acesso à internet, equipamentos e suporte técnico entre as regiões do país. A desigualdade na oferta desses recursos pode ampliar disparidades educacionais, conforme a análise.

A abordagem Stem é apresentada como um eixo relevante para a formação dos estudantes, ao estimular práticas investigativas, resolução de problemas e integração entre diferentes áreas do conhecimento. O modelo também é associado à preparação para temas como inteligência artificial e mudanças climáticas.

O levantamento defende que ciência, tecnologia, engenharia e matemática sejam trabalhadas de forma articulada, em vez de separadas por disciplinas isoladas.

## Obstáculos nas redes municipais

Em Manaus, o estudo registrou dificuldades na contratação de docentes com formação específica. Em algumas situações, professores de uma área precisam assumir conteúdos de outra, como aulas de ciência ou matemática.

Em Curitiba, a pesquisa identificou alta rotatividade de professores nos anos finais do ensino fundamental. O cenário prejudica a continuidade de projetos pedagógicos desenvolvidos coletivamente nas escolas.

Apesar dos desafios, o relatório reuniu experiências adotadas nas seis capitais analisadas.

Em Manaus, escolas utilizam jogos de tabuleiro e atividades sem equipamentos eletrônicos para ensinar lógica de programação e pensamento computacional. A cidade também conta com Centros de Tecnologias Educacionais que buscam atender escolas ribeirinhas por meio de conexão via satélite.

Em Belém, foram desenvolvidos óculos de realidade virtual de baixo custo com fibra de miriti, matéria-prima tradicional da região. O recurso é usado no ensino de geometria e relaciona tecnologia a elementos culturais locais.

João Pessoa investiu em conectividade e estrutura tecnológica, além de promover períodos intensivos de capacitação para que professores incorporem ferramentas digitais às aulas.

Em São Paulo, profissionais de Tecnologia para Aprendizagem atuam como multiplicadores nas diretorias de ensino. A rede também desenvolve iniciativas com instituições externas, incluindo parceria com a Universidade de Columbia, dos Estados Unidos, para implantação de um programa de aprendizagem construcionista.

Curitiba adaptou unidades dos Faróis do Saber para funcionar como espaços maker, com impressoras 3D e cortadoras a laser. A rede criou ainda o Farol Móvel, que leva recursos tecnológicos às salas de aula.

## Rio de Janeiro tem 317 Ginásios Educacionais Tecnológicos

Na capital fluminense, o levantamento destacou os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), criados em 2022. As unidades adotam uma proposta interdisciplinar e integram conteúdos de diferentes matérias.

A rede municipal do Rio possui 317 GETs e prevê alcançar 350 unidades até o fim do ano. A expectativa é atender 150 mil estudantes.

No GET Ceará, localizado em Inhaúma, na zona norte, as atividades combinam conteúdos de Stem com artes, em uma abordagem conhecida como Steam. A escola dispõe de um laboratório maker, chamado colaboratório, equipado com impressoras 3D, placas de robótica, óculos de realidade virtual, máquinas de corte e computadores.

A proposta dos GETs envolve o desenvolvimento de projetos práticos e interdisciplinares, com uso de ferramentas tecnológicas e atividades voltadas à solução de problemas. O modelo também busca ampliar a participação de meninas em áreas ligadas à ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.

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