**Governo Milei lança plano de desligamento voluntário para até 21 mil servidores na Argentina**
O governo argentino publicou nesta segunda-feira (19) o Decreto 1.203 de 2026, que institui um programa de desligamento voluntário para servidores federais. A medida pode atingir até 21 mil trabalhadores e integra a política de redução de despesas adotada pela gestão de Javier Milei.
O programa exclui integrantes das Forças Armadas e dos setores de segurança e inteligência. As vagas deixadas por quem aderir ao plano serão eliminadas de forma definitiva, sem previsão de reposição no quadro estatal.
Poderão participar servidores entre 58 e 64 anos, pessoas que já cumprem os requisitos para aposentadoria e outros grupos previstos na norma. Entre as modalidades de compensação, o decreto prevê o pagamento equivalente a um salário por ano de serviço público, além de uma renda mensal correspondente a 60% do vencimento por até três anos.
Os trabalhadores que aderirem não poderão retornar ao serviço público argentino durante oito anos.
Desde o início da gestão Milei, em dezembro de 2023, até agosto de 2026, cerca de 77,5 mil postos foram eliminados no setor público do país. O total inclui 44,7 mil cargos da administração pública direta e indireta, 11,1 mil vagas nas Forças Armadas e nas forças de segurança e 21,6 mil empregos em empresas estatais.
Dados oficiais indicam que o quadro da administração pública nacional encolheu 21,8% no período. Nas empresas controladas pelo Estado, a redução foi de 23,7%. Na estrutura centralizada da administração federal, o corte chegou a 30%, enquanto os órgãos descentralizados tiveram diminuição de 18%.
O governo estima que as medidas de enxugamento da máquina pública geraram economia de US$ 3,2 bilhões para a Argentina.
A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) se posicionou contra o plano. A entidade afirma que servidores têm sido pressionados a aceitar a adesão e alerta para impactos na oferta de serviços públicos.
O novo programa é anunciado em um contexto de aumento do desemprego no país. No primeiro semestre de 2026, a taxa chegou a 7,9% da população economicamente ativa, alta de 0,3 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
Levantamento do Centro de Economia Política Argentina aponta ainda o fechamento de 31,3 mil empresas durante os 31 primeiros meses da atual gestão, o equivalente a 6,1% das companhias registradas no país. No mesmo período, foram eliminados cerca de 245 mil empregos formais, redução de 3,9% no total.



