quarta-feira, outubro 21, 2026

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Brasil ocupa 2º lugar na importação de pesticidas proibidos na União Europeia, aponta Oxfam

# Brasil foi segundo maior destino de pesticidas proibidos na UE em 2024, diz Oxfam

O Brasil recebeu aproximadamente 15 mil toneladas de pesticidas proibidos para uso dentro da União Europeia em 2024, segundo relatório divulgado pela Oxfam no Dia Mundial da Alimentação. O país foi o segundo maior importador desses produtos no período, atrás apenas dos Estados Unidos.

O levantamento indica que os países da União Europeia exportaram quase 122 mil toneladas de agrotóxicos vetados no próprio bloco no ano passado. O volume é mais que o dobro do registrado em 2018.

De acordo com a organização, 93 países compram pesticidas considerados perigosos e proibidos na UE. Desse total, 75% são nações de baixa e média renda localizadas no Sul Global.

A Oxfam aponta que a legislação europeia restringe essas substâncias para proteger a população e o meio ambiente do bloco, mas mantém a permissão para sua fabricação e venda a outros mercados. O relatório classifica essa prática como um tratamento desigual na regulação de agrotóxicos altamente perigosos.

No Brasil, esses produtos representam 49% de todos os agrotóxicos comercializados, conforme a análise. Na Alemanha, por exemplo, a participação é de 12% das vendas.

Ainda segundo o documento, seis dos dez pesticidas mais vendidos no mercado brasileiro são proibidos na União Europeia. Essas substâncias são aplicadas em lavouras e áreas próximas a florestas com o uso de tratores, aeronaves e drones.

A pesquisa relaciona o consumo elevado de pesticidas ao modelo de grandes monoculturas destinadas à exportação, incluindo culturas como soja, café e cana-de-açúcar. Trabalhadores rurais, comunidades próximas às áreas agrícolas e o meio ambiente estão entre os grupos e setores expostos aos efeitos desses produtos, segundo a entidade.

Os pesticidas altamente perigosos correspondem a cerca de um terço dos ingredientes ativos utilizados mundialmente. O uso é mais concentrado em países do Sul Global, onde os mecanismos de fiscalização e proteção tendem a ser menos robustos, de acordo com a Oxfam.

O comércio desses produtos também é marcado pela concentração empresarial. Quatro companhias controlam 61% do mercado global de pesticidas e tiveram receita estimada em 2,7 bilhões de euros — cerca de R$ 15,37 bilhões — com a venda de agrotóxicos altamente perigosos.

Apesar do amplo emprego desses produtos, o mercado brasileiro continua em expansão. Em 2025, foram autorizados 725 novos pesticidas no país, número quase 10% superior ao recorde anterior, de 663 registros em 2024.

O Ministério da Agricultura foi procurado pela Agência Brasil, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem original.

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