domingo, maio 24, 2026
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Mensalidades do ensino superior privado registram queda de 4,3% em 2026

As mensalidades dos cursos de graduação em instituições privadas registraram queda em 2026 na comparação com 2025, informou pesquisa divulgada nesta sexta-feira (22) durante o Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular, no Rio de Janeiro. As mensalidades presenciais recuaram 4,3% e as da educação a distância (EAD) caíram 1,8%.

O levantamento “Cenário de Precificação da Graduação – Brasil 2026”, elaborado pela Hoper Educação em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), considera os valores efetivamente praticados pelas instituições, incluindo descontos comerciais e de pontualidade.

A mediana nacional das mensalidades presenciais ficou em R$ 835 em 2026, ante R$ 873 em 2025. Na EAD, a mediana foi de R$ 214, contra R$ 218 no ano anterior. A mediana representa o valor central da amostra: metade das mensalidades está acima e metade abaixo desses patamares.

Na série histórica desde 2013, os maiores valores medianos foram R$ 1.278 para cursos presenciais, em 2015, e R$ 524 para cursos a distância, em 2013.

Entre os cursos, as engenharias presenciais tiveram uma das maiores quedas reais da série: a mediana passou de R$ 1.743 em 2016 para R$ 967 em 2026. O estudo associa essa redução a fatores como retração da demanda, ampliação da oferta, pressão competitiva e migração de modalidade.

A medicina mantém o patamar mais alto de mensalidade na graduação privada, com mediana de R$ 11,4 mil em 2026.

O relatório também indica que a redução de preços reflete aumento da competição entre instituições e maior sensibilidade dos estudantes ao custo-benefício dos cursos. Segundo o levantamento, a precificação deixou de ser apenas aplicação de reajustes e descontos, passando a depender da capacidade das instituições de demonstrar valor acadêmico, experiência, empregabilidade, reputação e confiança.

No campo da EAD, o crescimento rápido e problemas de qualidade levaram o Ministério da Educação a suspender autorizações de cursos e credenciamentos na modalidade. Em 2025, o MEC revisou as regras para garantir qualidade no ensino superior a distância, estabelecendo, entre outras medidas, que bacharelados, licenciaturas e cursos de tecnologia não poderão ser 100% a distância.

O estudo aponta que o impacto dessas mudanças regulatórias ainda não foi totalmente incorporado aos preços. Parte dos cursos que migraram para formatos semipresenciais mantém valores próximos aos observados na EAD de 2025, embora o semipresencial tenda a exigir maior estrutura e custo de entrega.

No panorama do ensino superior brasileiro, a rede privada concentra a maior parte das matrículas. Dados do Censo da Educação Superior de 2024 indicam 8,2 milhões de estudantes na graduação privada, cerca de 80% do total de 10,2 milhões matriculados no ensino superior. A oferta a distância já supera a presencial: 5,2 milhões de matrículas em EAD ante 5,0 milhões no presencial, considerando instituições públicas e privadas.

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