# Medo da violência muda rotina de mulheres na Região Metropolitana do Rio
O receio da violência tem levado mulheres da Região Metropolitana do Rio de Janeiro a alterar trajetos, evitar horários e restringir atividades de trabalho e lazer.
A conclusão é da pesquisa “Rotina Calculada”, elaborada pela ONG Movimentos em parceria com o Instituto Fogo Cruzado e o Instituto Update. O estudo reuniu relatos de 20 mulheres de diferentes perfis raciais, sociais, econômicos e territoriais para analisar os impactos da insegurança na circulação pela cidade.
O levantamento mostra que o medo atinge mulheres de diversas realidades, mas as possibilidades de proteção variam de acordo com a renda e o local de moradia.
Mulheres com maior poder aquisitivo conseguem recorrer com mais frequência a alternativas como táxis, carros por aplicativo e hospedagens para reduzir a exposição a situações de risco.
Já entre as participantes de menor renda, o custo do transporte limita a escolha de rotas consideradas mais seguras. Nesses casos, há relatos de deslocamentos a pé por ruas sem iluminação e até de desistência de oportunidades de emprego devido aos riscos envolvidos no percurso.
A pesquisa também aponta que redes pessoais são usadas como estratégia de proteção. A presença de homens conhecidos, por exemplo, é associada a uma maior sensação de segurança em deslocamentos noturnos ou em pontos de ônibus, enquanto homens desconhecidos aparecem entre os principais fatores de temor.
As experiências de mulheres trans revelam ainda o impacto da transfobia sobre o direito à cidade. O estudo identificou restrições a atividades cotidianas, inclusive em espaços privados, como academias, diante do medo de discriminação e violência.
Segundo o levantamento, a insegurança interfere em decisões diárias, desde o horário de saída de casa até a escolha das roupas. O estudo defende que essas estratégias de sobrevivência sejam consideradas nos dados oficiais para orientar políticas públicas de segurança voltadas às mulheres.



