# Juros altos seguem como maior barreira ao crédito industrial, aponta CNI
As taxas de juros permanecem como o principal fator que dificulta o acesso da indústria brasileira ao crédito. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 76% das empresas com dificuldade para obter financiamento de curto e médio prazo apontaram o custo elevado das operações como obstáculo.
Nos financiamentos de longo prazo, com duração superior a cinco anos, os juros foram mencionados por 69% dos empresários. Embora continuem no topo das dificuldades, os percentuais caíram em comparação com 2025, quando alcançavam 80% no crédito de curto e médio prazo e 71% nas operações mais longas.
A pesquisa ouviu 1.701 indústrias de todo o país entre 3 e 12 de agosto, considerando as condições de acesso ao crédito observadas de fevereiro a julho. A amostra incluiu 692 pequenas empresas, 612 médias e 397 grandes.
Além das taxas, a exigência de garantias reais foi a segunda barreira mais citada. Esse problema afetou 33,4% das empresas nas operações de curto e médio prazo e 31,5% no crédito de longo prazo.
A burocracia foi apontada por 13,6% das indústrias que buscaram recursos de prazo menor. Entre as operações longas, 18,9% mencionaram como dificuldade o período de carência considerado insuficiente.
## Procura por financiamento
Quase metade das indústrias, 49,9%, não tentou contratar nem renovar crédito de curto ou médio prazo durante o período analisado. Entre as demais, 22,9% conseguiram concluir ou renovar operações, enquanto 7,5% buscaram recursos, mas não obtiveram aprovação.
No crédito de longo prazo, 54% das empresas não procuraram financiamento. Apenas 15,5% conseguiram contratar ou renovar operações, e 9,2% tiveram pedidos frustrados.
Ao considerar exclusivamente as empresas que tentaram captar recursos, a proporção de insucesso aumentou na comparação anual. Nas linhas de curto e médio prazo, a taxa de frustração passou de 20% em 2025 para 24,7% neste ano. No financiamento de longo prazo, o índice subiu de 33% para 37,2%.
As pequenas e médias empresas enfrentaram as maiores dificuldades nas operações longas. Não conseguiram o crédito procurado 48,2% das pequenas indústrias e 48,1% das médias, ante 29,9% das grandes companhias.
## Crédito longo usado para capital de giro
O levantamento também identificou o uso de financiamento de longo prazo para custear necessidades correntes das empresas. Entre as indústrias que buscaram, contrataram ou renovaram esse tipo de operação, 28,7% destinaram os recursos principalmente ao capital de giro.
O percentual superou a parcela de empresas que usaram os financiamentos para comprar máquinas e equipamentos, de 23,6%, ou para construção e instalações, de 11,6%.
Nas operações de curto e médio prazo, o capital de giro também predominou como finalidade do crédito, citado por quase 60% das indústrias.
## Medidas sugeridas
A redução dos custos tributários e administrativos foi apontada como a principal ação para ampliar o acesso ao crédito. A medida foi escolhida por 38,4% das empresas no caso de financiamentos de curto e médio prazo e por 31,2% nas linhas longas.
A ampliação das linhas públicas de crédito apareceu em seguida, com 22,8% das respostas para prazos menores e 26,3% para operações longas. A simplificação das exigências bancárias foi indicada por 21,1% e 22,1% das empresas, respectivamente.



