sexta-feira, outubro 23, 2026

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FMI revisa para baixo as previsões de crescimento da América Latina

# FMI reduz projeções para América Latina e Caribe e aponta impacto limitado da IA na região

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou suas estimativas de crescimento para a América Latina e o Caribe neste ano e em 2027. A revisão foi divulgada nesta terça-feira (13), em Bangcoc, no relatório *Perspectiva Econômica Global*.

A projeção para a região é de expansão de 2,3% neste ano. O número fica abaixo do crescimento de 2,5% registrado em 2025 e da estimativa de 2,4% divulgada em julho para 2026. Para 2027, a previsão passou de 2,7% para 2,5%.

A revisão ocorre enquanto o FMI elevou levemente sua expectativa para a economia mundial neste ano, de 3% em julho para 3,1%. Segundo o relatório, o redirecionamento no fornecimento de energia e os investimentos ligados à inteligência artificial ajudaram a sustentar a atividade em parte das economias globais.

Na América Latina, porém, os efeitos positivos da expansão do setor de tecnologia são mais restritos. O FMI apontou que a maior parte dos países da região tem pouca participação nos ganhos associados à inteligência artificial.

O cenário internacional também foi afetado pela guerra no Oriente Médio. O petróleo Brent está cerca de 45% acima do nível anterior ao conflito, elevando custos de combustíveis e energia para empresas e consumidores. A pressão inflacionária contribuiu para o aumento dos custos de financiamento em vários países.

Para as economias latino-americanas, o impacto dependerá da relação entre os ganhos dos exportadores de commodities e as perdas dos países importadores de energia, além da capacidade dos bancos centrais de manter as metas de inflação.

## Argentina tem maior corte entre países avaliados separadamente

A Argentina sofreu a maior redução nas projeções entre as três maiores economias latino-americanas analisadas individualmente pelo FMI. A expectativa é de crescimento de 2,1% neste ano, após expansão de 4,5% em 2025. Em julho, a previsão era de alta de 3,5%.

Para 2027, a estimativa para a economia argentina caiu de 4% para 3,5%. A inflação do país deve recuar para 32,5% neste ano, ante 41,9% em 2025.

No Brasil, a projeção de crescimento foi reduzida de 2,4% para 2,2% neste ano. Para 2027, a estimativa caiu de 2,2% para 1,9%.

O Fundo prevê desaceleração da economia brasileira no próximo ano, diante de juros ainda elevados, redução do impulso fiscal e incertezas no cenário externo.

## México tem revisão positiva para 2026

O México foi a exceção entre as principais economias da região. A previsão para 2026 foi elevada de 1,2% para 1,5%, apoiada pelas exportações, inclusive em cadeias produtivas relacionadas à inteligência artificial, e pela estabilização dos investimentos.

Ainda assim, o FMI reduziu a previsão mexicana para 2027, de 1,9% para 1,8%. As incertezas comerciais e outros riscos externos devem continuar limitando a atividade econômica do país.

As projeções também indicam desaceleração no Chile, cuja taxa de crescimento deve passar de 2,5% para 0,6% neste ano. Na Bolívia, a economia deve encolher 3%, após retração de 1,6% em 2025.

Na Venezuela, a inflação prevista pelo Fundo deve avançar de 252% para 467,9%.

O FMI manteve a avaliação de que os riscos para a região seguem concentrados no lado negativo. Entre os principais fatores estão a possibilidade de turbulência nos mercados, elevação do custo da dívida pública, pressão sobre moedas locais e aperto das condições financeiras nas economias emergentes.

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