terça-feira, setembro 22, 2026

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Empresa associada ao Pentágono assumirá controle de 21% do petróleo venezuelano

**EUA detalham acordo petrolífero com Venezuela envolvendo 17 campos e prazo de 100 anos**

O governo dos Estados Unidos divulgou novos detalhes de um acordo energético com a Venezuela que prevê a operação de 17 campos de petróleo por uma empresa vinculada parcialmente ao Departamento de Guerra americano.

Segundo a Casa Branca, a parceria abrange reservas estimadas em 65 bilhões de barris, volume equivalente a cerca de 21% das reservas comprovadas venezuelanas, calculadas em 303 bilhões de barris.

Os campos seriam administrados pela North American Blue Energy Partners (Nabep), companhia privada cuja participação de 35% estaria sob controle do Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos EUA.

Pelos termos divulgados, o Departamento de Estado americano teria direito de adquirir, pelo custo de produção, 20% do petróleo extraído dos campos atuais e futuros operados pela empresa. O governo dos EUA também teria preferência na compra dos 80% restantes da produção.

A Casa Branca informou ainda que poderá vetar indicações para o conselho de administração da Nabep. O acordo estabelece que a maior parte dos integrantes do conselho deverá ter cidadania americana e que eventuais disputas serão submetidas à legislação e aos tribunais dos Estados Unidos.

O prazo de 100 anos informado por Washington diverge da previsão de 25 anos divulgada pela presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez. Segundo o governo venezuelano, a parceria poderia atrair US$ 100 bilhões em investimentos para a recuperação da infraestrutura energética e gerar US$ 209 bilhões em receitas tributárias no período.

A expectativa de Caracas é ampliar a produção nacional em 1,5 milhão de barris por dia. Em julho, a Venezuela produziu 1,1 milhão de barris diários, conforme dados da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep). Entre 2005 e 2014, a produção venezuelana oscilava de 2,5 milhões a 3 milhões de barris por dia.

A iniciativa ocorre após mudanças na Lei do Petróleo venezuelana, aprovadas menos de um mês depois da operação em que o então presidente Nicolás Maduro foi levado por forças dos Estados Unidos, segundo o relato apresentado no texto original. A alteração passou a permitir a exploração das reservas por empresas privadas em condições mais amplas. Antes, a participação privada era limitada à condição de sócia minoritária do Estado.

Com sede em Barbados, a Nabep mantém filiais em Caracas, Maracaibo e Lechería. A empresa informou ter elevado sua produção na Venezuela de 18 mil para 200 mil barris por dia após investir US$ 1 bilhão no país, tornando-se a segunda maior produtora venezuelana em dois anos.

O acordo foi assinado pelos secretários da Guerra, Pete Hegseth, e de Estado, Marco Rubio. A Casa Branca relacionou a parceria à estratégia americana de reforçar sua presença na América Latina e reduzir a atuação de empresas russas, chinesas e cubanas no setor petrolífero venezuelano.

A medida provocou reações entre grupos políticos ligados ao chavismo. Organizações de base realizaram protestos em Caracas e questionaram a abertura do setor petrolífero a interesses estrangeiros, enquanto o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) apoiou a iniciativa como alternativa para reativar a economia nacional.

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