# Brics manifesta preocupação com Oriente Médio e defende maior participação do Brasil na ONU
Os países do Brics divulgaram neste sábado (12), durante a cúpula do grupo em Nova Delhi, na Índia, uma declaração que expressa preocupação com o agravamento das tensões no Oriente Médio, critica barreiras unilaterais ao comércio internacional e apoia uma reforma do Conselho de Segurança da ONU.
O documento, intitulado “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, tem 35 páginas e 140 parágrafos. O texto pede contenção diante da escalada de conflitos no Oriente Médio e na Ásia Ocidental, sem citar nominalmente os países envolvidos ou classificar a situação como guerra.
A região vive um conflito desde fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã sob a alegação de que o país desenvolvia armas nucleares. Teerã rejeita essa acusação. Em resposta, o Irã realizou ataques contra os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, dois integrantes do Brics alinhados aos Estados Unidos.
Participaram do encontro o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e os presidentes Xi Jinping, da China; Vladimir Putin, da Rússia; Cyril Ramaphosa, da África do Sul; e Masoud Pezeshkian, do Irã. Os Emirados Árabes Unidos foram representados pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan. O Brasil enviou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O Brics reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Juntos, os 11 países representam 39% da economia mundial, 48,5% da população global e 23% do comércio internacional. Em 2025, o grupo foi presidido pelo Brasil, que sediou a reunião anual em julho, no Rio de Janeiro.
## Conselho de Segurança
A declaração defende mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas para ampliar a representação de países em desenvolvimento e tornar o órgão mais democrático e eficiente.
Atualmente, o conselho tem 15 integrantes, mas apenas cinco são permanentes e possuem direito de veto: Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França.
O Brasil busca há décadas uma vaga permanente no órgão. No texto aprovado em Nova Delhi, China e Rússia reafirmaram apoio para que Brasil e Índia tenham participação mais relevante na ONU, inclusive no Conselho de Segurança. A declaração, no entanto, não estabelece de forma explícita a defesa de um assento permanente para o Brasil.
## Tarifas e moedas locais
Os integrantes do grupo também criticaram o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias consideradas prejudiciais ao comércio e incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio.
O texto não menciona os Estados Unidos, que passaram a aplicar tarifas a parceiros comerciais desde o início do mandato de Donald Trump, em 2025. Brasil, China e Índia estão entre os países afetados pelas medidas americanas.
A declaração ainda trata da criação de mecanismos mais eficientes para pagamentos entre países em moedas locais. O documento não cita o lançamento de uma moeda própria do Brics nem propõe substituir o dólar nas transações internacionais.
## Desigualdade
No campo social, os países apontaram a erradicação da pobreza, inclusive em sua forma extrema, como condição essencial para o desenvolvimento sustentável.
O documento também registra uma proposta apresentada por Brasil e África do Sul para a criação de um painel internacional voltado ao combate à desigualdade.



