segunda-feira, setembro 21, 2026

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Brasil integra estudo inédito em busca da cura da hepatite B

### Universidades brasileiras participam de consórcio internacional por novos tratamentos contra hepatite B

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e a Universidade de São Paulo (USP) passaram a integrar um consórcio internacional voltado ao desenvolvimento de novos tratamentos e à busca por uma possível cura para a hepatite B.

A iniciativa é coordenada pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e reúne pesquisadores do Brasil, Índia, Senegal e Uganda. Pelo lado brasileiro, participam o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes) e a USP.

O estudo vai analisar o comportamento do vírus da hepatite B em nível celular e as reações imunológicas de pacientes de diferentes países. A pesquisa também incluirá pessoas com coinfecção por hepatite B e HIV.

Criado em 2023, o consórcio teve as atividades interrompidas em 2024 e retomadas no ano seguinte. No Brasil, a pesquisa começou neste ano e deve se estender por aproximadamente cinco anos, combinando investigação laboratorial e acompanhamento clínico.

Ao todo, serão observados 600 pacientes durante cerca de quatro anos e meio. Cada um dos quatro países participantes deverá acompanhar 150 pessoas. A equipe do Hucam-Ufes ficará responsável pela análise de 75 participantes.

O recrutamento no Espírito Santo começou em julho e já reúne 40 pacientes. A previsão é completar o grupo de 75 voluntários até o fim deste ano, dentro do prazo estabelecido pelo projeto, que vai até meados de 2027.

A pesquisa busca identificar fatores que influenciam a evolução da infecção em cada pessoa, incluindo características genéticas associadas a maior proteção e componentes do vírus que possam indicar resposta a tratamentos ou possibilidade de cura. Os resultados poderão contribuir para a definição de alvos para futuros medicamentos e terapias imunológicas.

A hepatite B é uma infecção viral que afeta o fígado e pode evoluir silenciosamente. Sem cura definitiva, a doença pode provocar cirrose, câncer de fígado e morte. O vírus é considerado uma das principais causas de hepatocarcinoma, o câncer primário do fígado.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 240 milhões de pessoas viviam com infecção crônica por hepatite B em 2024. No Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 276,6 mil casos confirmados entre 2000 e 2022.

A transmissão pode ocorrer por relações sexuais sem preservativo, contato com sangue contaminado e transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. Segundo a Sociedade Brasileira de Clínica Médica, o vírus da hepatite B tem capacidade de transmissão até 100 vezes maior que a do HIV.

A OMS estabeleceu como meta eliminar o HIV, as hepatites virais e as infecções sexualmente transmissíveis como ameaças à saúde pública até 2030. Relatório divulgado pela entidade apontou redução de 32% nas novas infecções anuais por hepatites virais no mundo desde 2015. O avanço é associado, entre outros fatores, à ampliação da vacinação infantil, cuja cobertura chegou a 84% em 2024.

A vacinação é a principal medida de prevenção contra a hepatite B e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde para pessoas não imunizadas de todas as idades. Para crianças, o esquema prevê quatro doses: ao nascer e aos 2, 4 e 6 meses. Para adultos, a imunização costuma ser feita em três aplicações.

Também são recomendados o uso de preservativos em todas as relações sexuais e a não utilização compartilhada de objetos perfurocortantes ou itens pessoais.

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