domingo, novembro 1, 2026

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Ataque do Hamas em 7 de outubro redesenhou alianças no Oriente Médio

# Três anos após ataque do Hamas, Oriente Médio passa por reconfiguração de alianças e conflitos

Três anos depois do ataque do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, o Oriente Médio atravessou uma sequência de guerras, mudanças de governo e rearranjos políticos e militares que alteraram o cenário regional.

A ofensiva do Hamas contra localidades do sul de Israel deixou cerca de 1,2 mil mortos. Em seguida, Israel iniciou uma ampla operação militar na Faixa de Gaza, com destruição em cidades como Rafah e Khan Yunis. O conflito causou mais de 74 mil mortes no território palestino.

Desde então, a região registrou a queda do governo de Bashar al-Assad na Síria, confrontos entre Israel e o Hezbollah no Líbano, uma guerra envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, além do fechamento do Estreito de Ormuz. Mais recentemente, voltaram a ocorrer confrontos entre os houthis do Iêmen e a Arábia Saudita.

Um dos efeitos desse período foi o enfraquecimento da cooperação entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A divisão se aprofundou durante a guerra contra o Irã, quando os dois países adotaram posições distintas diante do conflito.

A ruptura também teve impacto no setor petrolífero. Os Emirados Árabes Unidos deixaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), grupo liderado politicamente pela Arábia Saudita.

## Acordo militar reúne Turquia, Arábia Saudita e Paquistão

Em meio ao prolongamento da guerra contra o Irã, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão firmaram, em 7 de agosto de 2026, o Acordo de Defesa Conjunta de Meca.

O tratado estabelece que uma agressão contra qualquer um dos integrantes será considerada uma ação contra todos os países do grupo. A aliança reúne nações que mantêm relações com os Estados Unidos, mas não foi estruturada com o Irã como adversário central.

O cenário também afetou os países do Golfo Pérsico, reunidos no Conselho de Cooperação do Golfo, formado por Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Arábia Saudita. Omã ampliou sua aproximação com Teerã, enquanto a disputa entre sauditas e emiradenses contribuiu para a fragmentação política do bloco.

A atual configuração regional passou a incluir, de um lado, Israel e Emirados Árabes Unidos, mais próximos de Washington. Em outra frente, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão buscam manter relações com diferentes potências, incluindo Estados Unidos, China e Rússia.

## Questão palestina volta ao centro das disputas

O ataque de outubro de 2023 também recolocou a questão palestina no centro da agenda regional. Antes da ofensiva, Arábia Saudita e Israel discutiam uma possível normalização de relações.

A guerra em Gaza se expandiu para outros territórios e países, incluindo Cisjordânia, Líbano e Irã. Ao mesmo tempo, a continuidade da ocupação israelense na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental permanece entre os principais pontos de tensão.

O Eixo da Resistência, formado por grupos e países contrários às políticas de Israel e dos Estados Unidos na região, perdeu influência durante esse período. A queda do governo sírio e o enfraquecimento do Hezbollah e do Hamas reduziram a capacidade de atuação do bloco, que mantém no Irã sua principal força estatal.

O contexto também envolve os Acordos de Abraão, articulados por Estados Unidos e Israel para ampliar a normalização diplomática entre Tel Aviv e países árabes. A iniciativa buscava reduzir o peso da questão palestina nas negociações regionais.

Outro projeto afetado pela escalada de conflitos foi o Corredor Econômico Índia-Oriente Médio-Europa, anunciado em setembro de 2023. A rota prevê ligações entre Índia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel e Grécia, com o objetivo de ampliar fluxos comerciais e energéticos entre Ásia, Oriente Médio e Europa.

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