**Inglaterra enfrenta Argentina com foco em Bellingham, Messi e casos de racismo na Copa**
A seleção da Inglaterra enfrenta a Argentina nesta quarta-feira (15), às 16h, em partida decisiva da Copa do Mundo. O confronto coloca em destaque Lionel Messi, em sua última participação no torneio, e Jude Bellingham, principal nome inglês na competição.
Aos 23 anos, Bellingham ganhou protagonismo na seleção após superar críticas no próprio país. O meio-campista foi decisivo na vitória sobre o México, no domingo (5), no Estádio Asteca, ao marcar dois dos três gols da equipe inglesa.
Fora de campo, o jogador também tem se destacado por sua atuação pública contra o racismo. Bellingham já demonstrou apoio a atletas vítimas de discriminação, entre eles o brasileiro Vini Jr., seu companheiro no futebol espanhol.
A atual edição da Copa tem sido marcada por episódios de discriminação racial. A torcida argentina foi associada a dois casos registrados no torneio: um contra o influenciador negro IShowSpeed, nas arquibancadas, e outro contra torcedores egípcios.
Jogadores de diferentes seleções também foram alvos de insultos racistas, incluindo atletas holandeses, alemães e ingleses. O francês Kylian Mbappé esteve entre os nomes que sofreram ataques diretos. Também houve registros de cânticos racistas de torcidas.
Outro episódio citado no torneio foi a proibição de entrada nos Estados Unidos, país-sede da competição, do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan.
Nas redes sociais, a Fifa identificou e removeu 89 mil publicações abusivas durante a fase de grupos. O número representa um aumento de 13 vezes em relação à Copa de 2022, no Catar.
O levantamento foi feito pelo Serviço de Proteção às Redes Sociais, criado na edição anterior do Mundial. Ao todo, foram analisadas 6 milhões de publicações. As mensagens racistas corresponderam a 11% dos conteúdos ofensivos detectados.
Entidades que atuam no combate à discriminação no esporte cobram maior responsabilização dos envolvidos em ataques racistas. Organizações civis defendem uma ação coordenada internacionalmente, com participação da Fifa, de federações, clubes e autoridades públicas.
A Fifa adotou o chamado protocolo Vini Jr. para lidar com situações de racismo no futebol. Mesmo assim, na primeira semana da Copa, um árbitro de vídeo foi investigado por fazer um gesto associado a supremacistas brancos. A entidade concluiu que não houve intenção racista no ato.
Até o momento, a torcida argentina não sofreu punições pelos episódios registrados na competição.
No futebol inglês, a Premier League mantém desde 2021 um plano de combate ao racismo no esporte e na sociedade. A iniciativa foi lançada após ataques sofridos por jogadores da seleção inglesa depois da derrota na Eurocopa daquele ano.
O programa envolve clubes, torcedores, organizações civis, sindicato de atletas, escolas e autoridades policiais. A liga também trabalha na identificação de autores de ofensas racistas nas redes sociais e apoia medidas contra os responsáveis.
Entre as ações previstas estão treinamentos para árbitros, campanhas em dias de jogos, incentivo a políticas afirmativas nos clubes e canais para denúncias de discriminação. As ocorrências relatadas por torcedores são analisadas por especialistas e podem ser encaminhadas às autoridades inglesas.



