quarta-feira, setembro 23, 2026

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Ajuda internacional registra maior queda da história em 2025, com corte de 23,1%

# Ajuda internacional de países ricos cai 23,1% em 2025, aponta estudo

O volume de ajuda internacional fornecida por países ricos a nações em desenvolvimento e instituições multilaterais caiu 23,1% entre 2024 e 2025, segundo levantamento do Brics Policy Center, vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio. Trata-se da maior redução já registrada na série analisada.

Em 2025, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD) somou US$ 174,3 bilhões, valor próximo de R$ 900 bilhões. Considerando a inflação, a queda foi de US$ 52,4 bilhões em relação ao ano anterior. Foi o segundo recuo consecutivo dos recursos destinados à cooperação internacional.

O estudo, intitulado *Financiamento para o Desenvolvimento*, utilizou dados do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O grupo reúne 33 países doadores e a União Europeia. O Brasil não integra a entidade.

A projeção dos pesquisadores é de nova redução de 6,9% em 2026. Se confirmada, será a terceira queda anual seguida e levará o volume global de ajuda a um patamar semelhante ao observado em 2014.

A AOD é composta por recursos públicos destinados a fomentar o desenvolvimento econômico e social de outros países. Os valores podem ser repassados diretamente aos governos beneficiados, em acordos bilaterais, ou enviados a instituições como a Organização das Nações Unidas e o Banco Mundial, responsáveis por programas próprios de desenvolvimento.

## Estados Unidos lideram redução

França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos concentraram 95,7% de toda a diminuição registrada entre 2024 e 2025.

Os Estados Unidos reduziram sua ajuda externa em 56,9%, respondendo sozinhos por 75,1% da queda global. A redução coincidiu com o início do novo mandato do presidente Donald Trump, cuja administração adotou medidas de afastamento de organismos multilaterais.

Os demais grandes doadores também diminuíram os repasses pelo segundo ano consecutivo: Alemanha, com queda de 17,4%; França, de 10,9%; Reino Unido, de 10,8%; e Japão, de 5,6%.

O levantamento associa parte da retração ao aumento dos gastos com defesa e segurança energética. Nos Estados Unidos, as despesas militares passaram de US$ 822,8 bilhões em 2024 para US$ 845,3 bilhões em 2025. Na União Europeia, os gastos com defesa cresceram 11%, chegando a 381 bilhões de euros.

Os investimentos em energia da União Europeia, por sua vez, aumentaram de US$ 215 bilhões em 2015 para cerca de US$ 420 bilhões em 2025. A expansão foi intensificada após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.

Apesar da queda geral, o comportamento dos canais multilaterais não foi uniforme. O financiamento destinado ao sistema da ONU recuou 27%, a maior redução já observada. Em sentido contrário, os aportes ao Banco Mundial subiram 6,4%, enquanto os bancos regionais de desenvolvimento receberam 11,9% a mais.

## Ucrânia mantém prioridade entre países europeus

Mesmo com a redução global dos repasses, a Ucrânia permaneceu como uma das principais prioridades dos países europeus. O país está no quinto ano de guerra contra a Rússia.

A assistência dos Estados Unidos à Ucrânia caiu 91%, mas o país recebeu R$ 44,9 bilhões e se tornou o maior beneficiário individual da história da Ajuda Oficial ao Desenvolvimento. O recuo americano foi compensado pelo aumento das contribuições de 23 países.

As instituições da União Europeia elevaram em 65,2% os recursos encaminhados à Ucrânia. O montante destinado ao país superou os US$ 28,1 bilhões recebidos, em conjunto, pelos 44 países classificados pela ONU como Países Menos Desenvolvidos.

## África Subsaariana é região mais afetada

A África Subsaariana registrou a maior retração regional em 2025. Os recursos destinados aos países da região caíram 23%, para US$ 29,2 bilhões.

Para 2026, a previsão é de nova redução de 11,6%, o equivalente a US$ 11,8 bilhões a menos. Dos 49 países da África Subsaariana, 32 integram a lista da ONU de Países Menos Desenvolvidos.

O estudo também cita estimativas da organização Oxfam segundo as quais os cortes na ajuda externa em 2025 podem estar associados a 695.238 mortes adicionais. Caso a tendência prossiga, o número pode alcançar 9,4 milhões de mortes até 2030.

O levantamento ressalta ainda a distância entre os recursos disponíveis e as necessidades de financiamento climático. Durante a COP30, realizada em Belém em novembro, foi debatida a necessidade de mobilizar US$ 1,3 trilhão para ações climáticas.

Entre as medidas apontadas para reduzir os impactos dos cortes estão a priorização de países mais pobres e dependentes de poucos doadores, o planejamento coordenado para encerramento de financiamentos e a ampliação da eficácia dos recursos destinados ao desenvolvimento.

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