quarta-feira, setembro 23, 2026

InícioPolíticaAgosto Verde alerta para mortes diárias por complicações do Alzheimer em MS

Agosto Verde alerta para mortes diárias por complicações do Alzheimer em MS

# Alzheimer causou 337 mortes em Mato Grosso do Sul em 2025

Mato Grosso do Sul registrou 337 mortes relacionadas à doença de Alzheimer em 2025, segundo dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus). O número corresponde, em média, a um óbito a cada 26 horas no Estado.

Até o fim de maio de 2026, foram contabilizadas 127 mortes associadas à doença, média de cerca de 25 registros mensais. Desde 2022, o total chega a 1.430 óbitos: foram 305 naquele ano, 315 em 2023, 346 em 2024 e 337 em 2025.

O tema integra as ações do Agosto Verde em Mato Grosso do Sul. Instituída pela Lei Estadual nº 5.088, de 2017, a campanha promove atividades educativas e preventivas relacionadas a doenças mentais e neurodegenerativas. A programação ocorre em agosto em referência ao Dia Nacional da Saúde, celebrado no dia 5.

## Impactos para pacientes e famílias

A progressão do Alzheimer afeta a memória, o comportamento, a autonomia e a capacidade de realizar tarefas cotidianas. Em fases avançadas, os pacientes podem deixar de reconhecer familiares, confundir acontecimentos de diferentes períodos da vida e demandar acompanhamento contínuo.

A doença também pode levar à necessidade de adaptações na rotina familiar e de cuidados especializados em instituições para idosos. O quadro tende a se agravar gradualmente, mesmo com assistência médica, apoio dos familiares e acompanhamento de cuidadores.

Entre as complicações mais graves estão as dificuldades de deglutição. O problema aumenta o risco de broncoaspiração — quando alimentos ou líquidos alcançam as vias respiratórias —, podendo resultar em pneumonia e outras condições clínicas que levam à morte.

## Estímulos cognitivos e hábitos saudáveis

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa marcada pela perda progressiva de neurônios. Embora atividades como leitura, estudo e exercícios de raciocínio não eliminem o risco de desenvolvimento da enfermidade, elas podem contribuir para a formação de reserva cognitiva, capacidade do cérebro de compensar parte das perdas provocadas pelo envelhecimento e por doenças neurológicas.

A ocorrência do Alzheimer está relacionada a fatores genéticos e de estilo de vida. Histórico familiar de declínio cognitivo em várias gerações pode indicar maior predisposição, identificável em alguns casos por testes genéticos específicos.

Entre os fatores associados a maior risco estão sedentarismo, consumo de álcool, alimentação com excesso de ultraprocessados e gorduras saturadas e traumatismos cranianos repetidos.

A preservação da saúde cerebral envolve a prática regular de atividades físicas, alimentação equilibrada e controle de fatores de risco. Padrões alimentares como a dieta mediterrânea, com azeite, nozes, cereais e peixes, estão entre as recomendações para uma rotina mais saudável.

Nos estágios iniciais, o tratamento pode incluir medicamentos voltados a retardar o avanço dos sintomas. Em fases mais avançadas, o cuidado envolve o controle de alterações comportamentais, a prevenção de complicações clínicas e o uso de medicamentos para auxiliar a memória e outras funções cognitivas.

## Política nacional

Em junho de 2024, entrou em vigor a Lei Federal nº 14.878, que criou a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências.

A norma estabelece diretrizes para assistência aos pacientes e prevê campanhas de orientação e conscientização em hospitais, clínicas, unidades básicas de saúde, postos de atendimento e serviços de urgência.

A política prevê atuação conjunta do poder público, prestadores de serviços, universidades e organizações da sociedade civil, com integração entre áreas como saúde, assistência social, previdência, educação, direitos humanos, inovação e tecnologia.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES