**Setembro Verde: Uma Campanha de Esperança e Doação de Órgãos**
O mês de setembro representa também o Setembro Verde, uma campanha que busca promover a conscientização sobre a doação de órgãos. O contexto da doação é crucial, já que cada transplante pode alterar a vida de alguém, transformando a dor em uma nova esperança cheia de possibilidades.
Um exemplo impactante é o de Elizangela Ximenes de Oliveira, de 41 anos, que enfrentou desafios em sua visão desde a adolescência. Quando criança, uma professora chamou a atenção para o esforço que ela fazia para enxergar o quadro escolar, desencadeando uma série de consultas médicas. Diagnósticos errôneos a levaram a usar óculos com graus cada vez mais elevados.
Com o tempo, foi diagnosticada com ceratocone, uma condição que afina e deforma a córnea. Esse quadro, agravado por problemas respiratórios na infância, levou Elizangela a buscar tratamentos que incluíam o uso de lentes de contato e a consulta a vários especialistas.
Foi somente ao conhecer o Dr. Alexandre Fialho, no Visão do Hospital de Olhos, que encontrou um plano de ação. Ele a encaminhou para a fila do transplante de córnea em 2019. Após uma longa espera, em novembro de 2023, recebeu a notícia de que havia uma córnea disponível. A cirurgia, realizada em Dourados, foi bem-sucedida, proporcionando uma nova perspectiva de vida.
Após a recuperação, Elizangela notou uma considerável melhora em sua visão, passando de uma acuidade visual inferior a 15% para mais de 80%. Além do restabelecimento da visão, o transplante a motivou a explorar novos interesses, como a corrida. Com um espírito renovado, participou de sua primeira corrida em junho e está determinada a aumentar a distância, almejando correr 7 km em breve.
O impacto do transplante, no entanto, vai além da melhoria física. Elizangela destaca a gratidão por ter recebido uma córnea, um presente que representa a esperança transformada da família do doador. Ela enfatiza a importância de discutir a doação de órgãos com familiares, pois um simples “sim” pode mudar vidas.
No estado de Mato Grosso do Sul, a realidade da doação de órgãos ainda enfrenta desafios. Mais de 60% das famílias se negam a autorizar a doação, mesmo diante de oportunidades de salvar vidas. Apesar dessas barreiras, os dados da Central Estadual de Transplantes indicam um progresso: de janeiro a setembro de 2025, foram realizados 218 transplantes de córnea, 39 de fígado, 16 de rim e 4 de ossos.
Esses números ressaltam a importância do Setembro Verde como um período de reflexão, conscientização e diálogo sobre a doação de órgãos, permitindo que mais histórias de superação como a de Elizangela possam se concretizar.



