sábado, março 28, 2026
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Saída obrigatória gera tumulto entre a população da Cidade de Gaza

Na manhã desta terça-feira (9), moradores de Gaza, que vivem em meio à destruição da cidade, receberam folhetos lançados pelas forças israelenses pedindo que evacuassem a área. Esta ação ocorreu após o governo de Israel anunciar a intensificação de sua ofensiva contra o Hamas, o que gerou pânico entre a população.

A Cidade de Gaza, o maior centro urbano da região, abrigava cerca de um milhão de palestinos antes do início do conflito. Há semanas, os habitantes aguardavam um ataque, com Israel prometendo atingir os últimos redutos do grupo militante.

As ordens de retirada deixaram a população alarmada, uma vez que muitos consideram que não há lugares seguros para se refugiar. Embora alguns moradores considerem seguir para o sul, a maioria se mostra relutante em deixar suas casas, sem sinais de um êxodo em massa até o momento.

Na área de abrigo para pacientes com câncer, a angústia era palpável. Alguns relataram sentir-se encurralados, sem alternativas viáveis para escapar da situação.

A questão do deslocamento é particularmente sensível para os palestinos, que temem que a atual ofensiva possa refletir a “Nakba”, episódio histórico em que centenas de milhares de palestinos foram forçados a deixar suas terras durante a guerra de 1948, com a criação de Israel.

Ao longo de quase dois anos de ofensivas, Israel tem sido alvo de acusações de genocídio, com estimativas de mais de 64.000 mortos, conforme dados das autoridades locais. Israel, por sua vez, nega essas alegações, defendendo seu direito de se proteger após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultaram na morte de 1.200 israelenses e na captura de 251 reféns.

Em uma recente atualização, as autoridades de saúde de Gaza informaram que os principais hospitais da cidade, Al Shifa e Al Ahli, serão evacuados, assegurando, no entanto, que os pacientes não ficarão sem atendimento.

A maioria dos habitantes de Gaza já passou por múltiplos deslocamentos desde o início do conflito. Com grande parte do território devastado, a crise de fome se agrava. As forças israelenses indicaram uma “zona humanitária” em Al-Mawasi, ao sul, onde muitos palestinos já buscaram abrigo, embora o local já esteja superlotado e também esteja sendo alvo de bombardeios.

Para muitos, a escolha se resume a permanecer em suas casas na Cidade de Gaza ou seguir as instruções de Israel e enfrentar os perigos no sul.

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