segunda-feira, março 30, 2026
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Estudo revela que alfabetização de adultos pode elevar a renda em até 16%

A educação de jovens e adultos (EJA) demonstrou trazer benefícios diretos à renda, ocupação e formalização no mercado de trabalho para os estudantes que a frequentam. Essa conclusão é resultado de um estudo recente que avaliou o impacto econômico para aqueles que voltaram a estudar em turmas da EJA após não terem concluído os estudos na idade apropriada.

A EJA é uma modalidade da educação básica que oferece a oportunidade de obter diplomas de ensino fundamental e médio para aqueles que não completaram a escola em seu tempo devido, com cursos de duração reduzida em comparação às classes regulares. Os resultados da pesquisa serão apresentados em um seminário nacional dedicado à EJA, que ocorre nesta quarta-feira (10). O estudo, encomendado pelo Ministério da Educação em parceria com a Unesco, visa destacar a importância do investimento e acesso a essa modalidade.

Nas últimas décadas, o Brasil ampliou o acesso à educação, atingindo uma taxa de atendimento de 96,7% entre crianças de 6 a 14 anos em 2010, em comparação a 75,5% em 1991. Apesar disso, a pesquisa aponta que taxas elevadas de reprovação e evasão permaneceram, resultando em 35% dos jovens brasileiros ainda sem concluir o ensino médio até os 20 anos.

Para se inscrever na EJA do ensino fundamental, o aluno deve ter pelo menos 15 anos, enquanto a modalidade do ensino médio exige a idade mínima de 18 anos. Para as turmas de alfabetização, também é necessário ter pelo menos 15 anos. O estudo considerou variáveis como região, raça e áreas rurais ou urbanas ao mapear o potencial público da EJA.

A pesquisa identifica que, em todas as etapas da EJA, desde a alfabetização até a conclusão do ensino médio, os estudantes apresentam um aumento na renda. Por exemplo, aqueles que finalizam as classes de alfabetização experienciam uma média de aumento de 16,3% na renda para a faixa etária de 18 a 60 anos, sendo o impacto ainda maior para os que têm entre 46 e 60 anos, com um incremento superior a 23%.

Para os que completam o ensino fundamental pela EJA, a renda média cresce em 4,6%, com um aumento de 14,9% observado na faixa de 26 a 35 anos. No ensino médio, essa elevação média é de 6%, destacando-se um aumento de 10% para o mesmo grupo etário. A conclusão da EJA também resulta em maiores chances de inserção no mercado de trabalho formal.

O Pacto Nacional de Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos, lançado pelo Ministério da Educação no ano passado, projeta a criação de 3,3 milhões de novas matrículas na EJA, com um investimento de R$ 4 bilhões ao longo de quatro anos. Dados do IBGE revelam que existem 9,1 milhões de pessoas não alfabetizadas no Brasil, representando 5,3% da população com 15 anos ou mais.

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