sábado, março 28, 2026
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Campanha solicita a inclusão de tratamentos para obesidade no SUS

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) lançou, nesta semana, uma campanha nacional visando a inclusão de medicamentos para tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa conta com o apoio de diversas entidades, incluindo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

O objetivo da Sbem é mobilizar a sociedade e sensibilizar as autoridades sobre a necessidade de políticas públicas que garantam o acesso a tratamentos adequados, com ênfase em medicamentos na rede pública.

Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhecer a obesidade como uma doença crônica multifatorial, o SUS ainda não incorporou fármacos para seu tratamento. Enquanto pacientes com condições como hipertensão e diabetes têm acesso a medicamentos gratuitos, aqueles que vivem com obesidade não contam com alternativas terapêuticas na rede pública.

De acordo com a Sbem, nenhum medicamento para perda de peso foi oficialmente introduzido no SUS, incluindo os agonistas GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. Nos últimos cinco anos, quatro medicamentos para a obesidade foram analisados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), mas todos tiveram suas incorporações negadas.

Os dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade, revelam que 31% dos adultos brasileiros sofrem de obesidade, enquanto 68% estão com sobrepeso, o que equivale a quase sete em cada dez pessoas na população adulta. Se não forem adotadas medidas efetivas, a previsão é que, até 2044, cerca de 48% da população adulta do Brasil esteja obesa.

Além do impacto na saúde individual, a obesidade gera custos significativos para o sistema de saúde. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou que, entre 2021 e 2030, os custos diretos para o SUS relacionados a doenças associadas à obesidade podem chegar a US$ 1,8 bilhão, enquanto as perdas indiretas, como anos de vida produtiva, podem ultrapassar US$ 20 bilhões.

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