sábado, março 28, 2026
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UE planeja acordo comercial com o Mercosul, apesar da resistência da França

**Acordo de Livre Comércio entre UE e Mercosul será Apresentado para Aprovação**

Nesta quarta-feira (3), a Comissão Europeia apresentará o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul para votação. O aval da Alemanha e de outros países que buscam novos mercados é crucial, especialmente diante das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que têm gerado críticas na França e entre seus aliados.

As negociações entre a UE e o Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, foram concluídas em dezembro do ano passado, aproximadamente 25 anos após o início das tratativas. O acordo agora precisa passar pela aprovação do Parlamento Europeu e obter uma maioria qualificada entre os governo dos 27 países da UE, o que significa o apoio de 15 deles, representando 65% da população do bloco. Contudo, não há garantias de que a proposta será aprovada.

A Comissão Europeia e seus apoiadores, como Alemanha e Espanha, alegam que o acordo pode ajudar a mitigar as perdas comerciais causadas pelas tarifas de Trump e reduzir a dependência da UE em relação à China, especialmente em áreas como minerais essenciais.

Desde a reeleição de Trump em novembro, a UE tem buscado fortalecer alianças comerciais, acelerando negociações com países como Índia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos, além de estreitar laços com parceiros de comércio já estabelecidos, como Reino Unido, Canadá e Japão.

De acordo com a Comissão, o acordo com o Mercosul é o maior do tipo em termos de reduções tarifárias e uma estratégia fundamental para diversificar os laços comerciais da UE.

A França, que é o principal produtor de carne bovina da UE e um dos críticos mais vocais do acordo, considera-o inaceitável. Agricultores europeus têm se manifestado contra a proposta, argumentando que a importação de produtos sul-americanos, especialmente carne bovina, poderia não atender aos padrões de segurança alimentar e ambientais da UE. A Comissão refuta essa afirmação.

Além disso, organizações ambientais, como a Friends of the Earth, expressaram oposição ao acordo, caracterizando-o como prejudicial ao clima. Eles buscam bloquear a proposta tanto no Parlamento, onde partidos como os Verdes e a extrema direita criticam o acordo, quanto junto aos governos da UE. A essa oposição pode se juntar a Polônia e a Itália, aumentando as dificuldades para a aprovação.

Os defensores do acordo na UE enxergam no Mercosul um mercado em expansão para produtos como veículos, máquinas e produtos químicos da Europa, além de uma fonte confiável de minerais essenciais, como o lítio metálico para baterias, atualmente dominada pela China. Eles também destacam que o acordo proporcionaria melhores condições para a exportação de queijos, presunto e vinho europeus.

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