O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, viajou ao México nesta terça-feira (2) e seguirá ao Equador para tratar de medidas de combate às drogas, em meio a um aumento de tensões entre Washington e Caracas.
A Casa Branca acusa o governo venezuelano de chefiar um cartel de drogas e tem mobilizado embarcações militares na costa da Venezuela. Especialistas do mercado internacional de drogas contestam a caracterização do país como um “narcoestado”.
O órgão equivalente ao Ministério das Relações Exteriores dos EUA informou que as visitas ao México e ao Equador terão como foco prioridades da administração americana, incluindo a resposta a ameaças narcoterroristas e ações para desmantelar cartéis, interromper o tráfico de fentanil, conter a migração irregular, reduzir o déficit comercial e neutralizar atores externos considerados malignos.
No México, a presidenta Claudia Sheinbaum recusou qualquer possibilidade de intervenção direta de forças estrangeiras no território nacional e defendeu a cooperação entre países em condições de igualdade.
O governo venezuelano declarou estar preparado para um possível ataque e informou ter detectado movimentação de unidades navais dos EUA na região. As autoridades venezuelanas também afirmaram que foram mobilizadas oito embarcações de guerra e um submarino nuclear, com cerca de 1,2 mil mísseis, apontados contra o país. O Executivo venezuelano advertiu que adotará medidas de defesa caso haja agressão externa.
Em agosto, os Estados Unidos elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à captura do presidente Nicolás Maduro, acusando as autoridades venezuelanas de participação em um cartel de drogas.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, posicionou-se contrariamente a qualquer ação militar contra a Venezuela, citando o risco de envolvimento da Colômbia no conflito.
Após a passagem pelo México, Rubio seguirá ao Equador, onde está prevista uma reunião com o presidente Daniel Noboa na quinta-feira (4). Noboa é visto como alinhado à política dos EUA na região e pretende realizar, em dezembro, uma consulta popular para abolir a proibição de instalação de bases militares estrangeiras no território equatoriano.
Especialistas e autoridades apontam que, com o desmantelamento das Farc na Colômbia a partir de 2016, parte do tráfico de drogas migrou para o Equador. O país registrou forte aumento da violência relacionada ao narcotráfico: a taxa de homicídios subiu de 7,8 por 100 mil habitantes em 2020 para 45,7 em 2023.
Nesse contexto, o governo de Noboa intensificou a militarização da segurança pública, declarou a existência de um “conflito armado interno” e promoveu, nesta segunda-feira, a reforma completa da cúpula militar com o objetivo de reforçar as Forças Armadas no enfrentamento ao crime organizado.
Apreensões de cocaína em carregamentos de banana têm sido recorrentes no Equador. Estimativas das autoridades equatorianas indicam que grande parte da cocaína contrabandeada passa por carregamentos de banana. A família de Daniel Noboa é proprietária de empresas exportadoras de banana, setor que frequentemente aparece em operações de apreensão de drogas.
A visita de Rubio à região ocorre num momento de intensificação das ações e denúncias entre governos, com a agenda americana centrada no combate ao tráfico e na busca por contrapartidas regionais para enfrentar a crise das drogas.



